Por que a MotoChefe aposta em Manaus? Conheça a estratégia por trás da expansão

Comprar um veículo para os deslocamentos cotidianos sem precisar de habilitação ou emplacamento pode tornar a mobilidade elétrica mais atraente para parte da população. É nessa possibilidade, válida para equipamentos autopropelidos que atendem aos critérios legais, que a MotoChefe concentra sua estratégia de expansão. Com fábrica no Polo Industrial de Manaus (PIM), a empresa pretende ampliar sua capacidade produtiva e alcançar faturamento de R$ 600 milhões em 2026.

O diferencial reduz algumas barreiras de acesso ao transporte individual. Para quem procura uma alternativa para trajetos curtos, a dispensa dessas exigências pode pesar na decisão de compra, junto com o preço, a autonomia e os gastos de manutenção. Isso não elimina as regras de circulação nem transforma todo veículo elétrico em uma opção dispensada de documentação: o enquadramento depende das características técnicas de cada modelo.

Segundo a MotoChefe, os autopropelidos respondem por 70% de seu negócio. Alguns têm aparência de pequenas motos ou scooters, mas pertencem a uma categoria específica. A empresa aposta nesse público para crescer, combinando produção em Manaus, distribuição de peças e ampliação da presença comercial.

A procura também se relaciona à busca por economia e praticidade. Além do uso pessoal e do lazer, os elétricos leves despertam interesse entre entregadores que procuram reduzir o esforço físico e os gastos com deslocamento. A vantagem precisa ser avaliada conforme a rotina do usuário: distância diária, disponibilidade de recarga, capacidade de carga, assistência técnica e reposição da bateria influenciam o custo e a utilidade do equipamento.
O mercado já apresenta dimensão relevante. Segundo a Aliança Bike, mais de 160 mil equipamentos autopropelidos entraram no mercado brasileiro em 2024.

A entidade relaciona a expansão aos efeitos da Resolução Contran nº 996/2023, que estabeleceu parâmetros para essas categorias. O dado faz sentido, embora não comprove, isoladamente, quanto a dispensa de habilitação e emplacamento contribuiu para as vendas.

Fundada em 2019, a MotoChefe estruturou sua operação com uma montadora na Zona Franca de Manaus e canais de venda físicos. A companhia apresenta a produção nacional, o estoque de peças e a assistência técnica como elementos de sua estratégia para atender o consumidor.

Em entrevista ao NeoFeed, informou possuir 104 lojas, entre próprias e franqueadas, e planejar outras 50 até dezembro. Na fábrica de Manaus, a capacidade instalada deverá passar de 10 mil produtos mensais para uma faixa de 13 mil a 15 mil no início de 2027. São metas de expansão, que ainda precisam se converter em produção e vendas efetivas.

A empresa afirma que cerca de 30% dos componentes já são produzidos no Brasil, o que é muito benéfico para o PIM, e apresenta planos para nacionalizar chassis e, posteriormente, baterias. O alcance dessas etapas para a cadeia amazonense dependerá da localização dos projetos e das condições de fornecimento.

A expansão da MotoChefe mostra como uma categoria com menos exigências de documentação pode ampliar o público potencial da mobilidade elétrica. Para sustentar essa atratividade, porém, a facilidade de acesso precisa ser acompanhada de segurança, informação clara e suporte após a compra. É essa combinação que poderá transformar o interesse do consumidor em crescimento duradouro para a empresa e novas oportunidades industriais em Manaus.

Cristina Monte é jornalista, colunista e analista de negócios, com atuação na cobertura de indústria, inovação e desenvolvimento econômico na Amazônia.

FOTO – MotoChefe

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