A Royal Enfield acaba de anunciar que implantará sua própria fábrica no Polo Industrial de Manaus (PIM), marcando um novo capítulo para a indústria de duas rodas no Amazonas. Atualmente, a marca indiana opera no Brasil por meio de parcerias com a Dafra e o Grupo Multi, mas agora pretende assumir controle total do processo produtivo local.
Segundo o CEO Gabriel Pattini, a marca já conta com aprovação da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) para a fábrica, e planeja acelerar as etapas para implantação da linha de produção própria. A Royal Enfield também projeta alcançar até 30 mil motos vendidas por ano no país, com forte participação da unidade manauara.
Um setor em plena expansão
O contexto favorece: o setor de duas rodas no PIM vive um momento de aquecimento. No primeiro semestre de 2025, o faturamento da indústria de motos em Manaus atingiu R$ 23,3 bilhões, alta de 30,2% frente ao ano anterior. A produção local também bateu marca expressiva: no primeiro semestre, foram montadas 1.000.749 motocicletas no polo industrial do Amazonas.
No acumulado dos quatro primeiros meses de 2025, foram produzidas 673.125 unidades, representando crescimento de 11,9% sobre o mesmo período de 2024, o melhor desempenho em 14 anos. Em abril, o volume mensal chegou a 172.224 motos, maior marca mensal desde 2011.
Esse cenário de forte demanda e expansão do setor cria ambiente favorável para que uma nova fábrica como a da Royal Enfield agregue valor, fortaleça cadeias locais e intensifique a competição.
Impactos esperados e desafios
A implantação de uma fábrica própria da Royal Enfield em Manaus tende a trazer vários impactos positivos:
• Nacionalização de componentes e processos, reduzindo dependência de importações e possibilitando maior controle de custos.
• Fortalecimento da cadeia local de fornecedores, estimulando empresas de usinagem, pintura, soldagem e logística.
• Geração de empregos diretos e indiretos, com efeitos multiplicadores na economia regional.
• Competição mais acirrada no segmento de duas rodas, exigindo que marcas como Honda, Yamaha e outras fortaleçam inovação, redes de pós-venda e eficiência operacional.
Por outro lado, desafios não são poucos. A nova fábrica precisará de investimentos elevados, homologações, capacitação de mão de obra e alinhamento regulatório, além de garantir escala para justificar sua operação frente a custos fixos.
Mas uma coisa é certa: a Royal Enfield aposta em Manaus não apenas como local de montagem, mas como base estratégica para sua expansão no mercado brasileiro. E ao fazê-lo, reforça o papel do Polo de Duas Rodas do PIM como núcleo industrial vital para o setor nacional.
CRISTINA MONTE
Foto: Reprodução


