A transformação digital da indústria já não é mais tendência, é exigência. E, na Amazônia, ela ganha contornos próprios.
É nesse cenário que o CESAR consolida sua atuação em Manaus, com foco direto na inovação aplicada à indústria e no fortalecimento do ecossistema tecnológico local. À frente dessa estratégia está Bárbara Formoso, gerente de negócios da unidade, que defende uma inovação conectada à realidade amazônica.
Criado em 1996, em Recife, o CESAR nasceu com um propósito claro: “transformar conhecimento científico em riqueza para a sociedade”, explica Bárbara, ao destacar que a proposta inicial também envolvia reduzir a fuga de talentos e criar oportunidades no país.
A expansão para Manaus, em 2011, seguiu essa lógica estratégica. “Manaus é um dos polos tecnológicos mais estratégicos do Brasil”, afirma Bárbara, ao destacar o ambiente impulsionado pelo Polo Industrial de Manaus (PIM) e pelos instrumentos de política industrial.
Hoje, o instituto atua em três frentes: desenvolvimento de soluções para empresas, apoio a startups e formação de talentos. Na prática, isso se traduz em inteligência artificial, automação, análise de dados, IoT e tecnologias voltadas à Indústria 4.0.
No Amazonas, a prioridade é clara. “O foco é a transformação digital aplicada à indústria. Queremos ajudar as empresas do PIM a migrarem para a indústria 4.0, melhorar produtos e processos com inteligência artificial, dados, IoT e automação”, explica Bárbara.
Além dos projetos com grandes indústrias e startups, o CESAR também atua na formação de pessoas. “Já contribuímos para a formação e requalificação de centenas de profissionais na região”, destaca, reforçando o impacto direto na qualificação da mão de obra local.
Ainda assim, os desafios persistem. “Os maiores desafios são a infraestrutura e logística, somadas à necessidade de formar profissionais na velocidade da demanda”, analisa Bárbara. E há um desafio adicional: superar a percepção de que a Amazônia é apenas fornecedora de matéria-prima.
Para isso, a estratégia passa por adaptação. “O diferencial é a tropicalização da inovação. Não trazemos fórmulas prontas, adaptamos a metodologia aos desafios logísticos, climáticos e produtivos da Amazônia”, diz.
Com planos de expansão, novos laboratórios e maior integração com startups, indústrias e universidades, o CESAR busca se consolidar como um elo entre tecnologia, indústria e território.
Esse tipo de conexão ainda é um dos principais desafios do modelo industrial brasileiro. E, no caso da Amazônia, ganha um peso adicional. Se avançar, pode não apenas aumentar a competitividade das empresas, mas também reposicionar a região como um espaço capaz de gerar tecnologia, e não apenas produzir.

Mudança no drawback do cacau expõe disputa dentro da cadeia produtiva
Uma mudança aparentemente técnica nas regras do drawback, regime que permite importar insumos sem impostos quando o produto final será exportado, abriu uma discussão relevante dentro da cadeia do cacau brasileiro. O setor industrial alerta que a alteração pode afetar até R$ 3,5 bilhões em exportações de derivados, caso a importação de amêndoas fique mais restrita.
Atualmente, parte da matéria-prima usada pelas indústrias de processamento no país ainda precisa ser importada. Empresas do setor argumentam que o regime garante competitividade frente a grandes centros globais de moagem, como Holanda e Malásia. Por outro lado, produtores rurais defendem a mudança. Para eles, limitar o drawback estimularia a compra de cacau nacional e ajudaria a valorizar a produção brasileira.
A discussão ocorre em um momento de preços internacionais elevados e de retomada do interesse pelo cultivo no país, especialmente na Amazônia, onde sistemas agroflorestais começam a ganhar espaço.
A questão é recorrente da política econômica: equilibrar proteção à produção agrícola com competitividade industrial e exportadora. O desafio será encontrar um ponto de equilíbrio que fortaleça a cadeia sem comprometer o papel do Brasil no mercado global de derivados de cacau.
A bioeconomia começa onde o território está organizado
O anúncio recente do Fundo Amazônia, destinando cerca de R$ 53 milhões para ações de regularização fundiária na Amazônia Legal, representa um movimento estruturante voltado à organização do território, um dos principais entraves históricos ao desenvolvimento da região. Executado com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o projeto prevê atuação em dezenas de municípios, com uso de tecnologia, georreferenciamento e fortalecimento institucional.
Nesse cenário, a regularização fundiária cria as condições básicas para o desenvolvimento de cadeias produtivas, ao permitir acesso a crédito, formalização e inserção em mercados. Esse ponto é especialmente relevante para a bioeconomia amazônica, que depende de território organizado, rastreabilidade e segurança jurídica para ganhar escala. Sem essa base, a bioeconomia tende a permanecer no campo dos projetos e pilotos; com ela, passa a ter condições reais de se consolidar como vetor econômico.
Incentivo fiscal ou política de desenvolvimento? O papel das áreas de livre comércio na Amazônia
A decisão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado de confirmar a redução a zero de PIS/Pasep e Cofins nas vendas destinadas às Áreas de Livre Comércio da Amazônia reforça um ponto que muitas vezes passa despercebido: o papel desses territórios como instrumentos de política econômica regional, e não apenas como exceções tributárias.
A medida, que abrange regiões como Tabatinga, Macapá, Brasiléia e Guajará-Mirim, busca corrigir distorções geradas por interpretações jurídicas recentes e restabelecer uma lógica de isonomia entre essas áreas.
A ação sinaliza a tentativa de manter competitividade em regiões de fronteira, onde o custo logístico é elevado e a concorrência com mercados internacionais próximos é direta. Nesse contexto, os incentivos fiscais deixam de ser apenas um benefício e passam a funcionar como mecanismo de equilíbrio econômico.
O desafio, no entanto, permanece. Incentivo, por si só, não garante desenvolvimento. Sem integração com cadeias produtivas, infraestrutura e inovação, o risco é que esses instrumentos continuem operando de forma isolada, com impacto limitado no longo prazo.
RÁPIDAS & BOAS
Entre os dias 23 e 25/3, no Centro de Convenções Vasco Vasques, acontecerá o evento ‘Amazonas Óleo, Gás e Energia’, e as inscrições para a Arena de Inovação & ESG estão abertas. O espaço é exclusivo para startups e pequenas empresas de base tecnológica que querem expor soluções inovadoras, participar do Pitch Day e se conectar com grandes empresas, investidores e decisores do setor energético. As inscrições estão sendo realizadas pelo link (http://bit.ly/4kd1jth).
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Na terça-feira (24/3), ocorrerá o leilão de uma área de mais de 35 mil metros quadrados. O imóvel está avaliado em cerca de R$ 38,5 milhões e fica na avenida Cosme Ferreira, esquina com a avenida Autaz Mirim, no bairro São José. O leilão é organizado pela empresa Thais Moreira Leilões (TM Leilões) e será virtual. Para participar da disputa, os interessados devem se cadastrar previamente no site oficial da leiloeira (www.tmleiloes.com.br).
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Nos dias 25 e 26/3, acontecerá em São Paulo, a 11ª edição do ‘Congresso de Inovação da Indústria’, um dos principais eventos de inovação industrial da América Latina. O evento é gratuito e as inscrições estão sendo realizados por meio do link (https://tinyurl.com/4d8xfcje).


