Avanço tecnológico amplia cruzamento de dados, eleva risco de inconsistências e exige maior atenção no preenchimento da declaração do Imposto de Renda
A ampliação dos mecanismos de controle da Receita Federal em 2026 acendeu o sinal de alerta entre contribuintes diante do aumento das retenções na malha fina. Especialistas apontam que o uso de sistemas automatizados e o volume de informações compartilhadas por empresas e instituições financeiras tornam o processo mais rigoroso e menos tolerante a falhas.
A advogada tributarista, Keltryn Neris, explica que a obrigatoriedade de entrega da declaração segue critérios definidos pela Receita Federal.
“Está obrigado a declarar quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00 ao longo de 2025, além de quem teve rendimentos isentos superiores a R$ 200 mil, atividade rural relevante ou patrimônio acima de R$ 800 mil, entre outras situações previstas”, detalha.
Segundo a especialista, a retenção ocorre quando há divergência entre os dados informados pelo contribuinte e aqueles já disponíveis nos sistemas do Fisco.
“Na prática, a declaração fica retida para análise, a restituição é suspensa e o contribuinte precisa verificar a pendência nos canais oficiais da Receita”, afirma.
O cruzamento automatizado de dados, segundo ela, intensifica a fiscalização. Caso o contribuinte caia na malha fina, a regularização depende da análise da pendência.
“A Receita compara informações com empresas, bancos, planos de saúde e diversas entidades. Qualquer divergência, mesmo pequena, pode ser identificada rapidamente. Se for erro de preenchimento, a correção pode ser feita por declaração retificadora. Em outras situações, é necessário apresentar documentos. As consequências incluem atraso na restituição, cobrança de imposto, multa e juros”, explica.
Erros e impactos
A contadora, Luana Galuci, destaca que falhas simples ainda lideram os motivos de retenção e equívocos frequentes na declaração de patrimônio.
“Muita gente esquece de declarar rendas extras, como aluguel ou trabalhos pontuais e também há erros de digitação, como um zero a mais ou a menos, que podem travar o processamento. Imóveis e veículos devem ser informados pelo valor de aquisição, não pelo preço de mercado. Outro problema comum é incluir o mesmo dependente em duas declarações, o que gera inconsistência imediata”, justifica.
Para reduzir riscos, a orientação é reunir documentação completa.
“Informes de rendimentos, recibos de saúde e educação, além de documentos de bens, são essenciais. E todos os comprovantes devem ser guardados por pelo menos cinco anos”, recomenda.
De acordo com o economista, Altamir Cordeiro, ressalta que, apesar das exigências, o tributo desempenha papel central na estrutura do país.
“O Imposto de Renda é uma das principais fontes de receita do governo federal e financia áreas essenciais como saúde, educação e segurança. Em decorrência disso, esse impacto é direto no orçamento familiar, sente este um imposto retido na fonte reduz a renda mensal disponível, e somente no ajuste anual o contribuinte verifica se terá restituição ou valores adicionais a pagar”, disse.
O especialista avalia que mudanças recentes trouxeram algum alívio.
“A ampliação da faixa de isenção para salários até R$ 5 mil e a redução da carga até R$ 7,5 mil representam avanços, embora ainda existam debates sobre a tributação da renda do trabalho”, conclui.
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