Força da periferia: estudo mostra que nanoempreendedorismo feminino na Amazônia é movido por sobrevivência

O avanço do nanoempreendedorismo feminino no Brasil ganha contornos ainda mais intensos na Amazônia. Um estudo inédito apresentado em Manaus na última sexta-feira (15/5), intitulado “Nanoempreendedora em foco: Identidade, Sobrevivência e o Paradoxo da Autonomia”, revela que, na região Norte, liderar um negócio próprio vai muito além da busca por autonomia: funciona como uma estratégia imediata de sobrevivência econômica dentro das periferias urbanas.

Os dados foram apresentados pelo Consulado da Mulher, organização social que tem como principal mantenedora a Whirlpool Corporation, dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid no Brasil, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com apoio da Engie e execução da Vert.se.

O retrato traçado pela pesquisa desenha um cenário desafiador. Enquanto a média nacional já aponta a necessidade como principal motivação para empreender, no Norte esse índice sobe ainda mais: 80% das mulheres iniciaram seus negócios por necessidade absoluta. Além disso, para 55% delas, o faturamento do empreendimento representa a principal fonte de sustento da família.

O retrato do “piso pegajoso”
O levantamento revela um perfil marcado pela sobrecarga e pela ausência de oportunidades estruturais. No Norte, 61% das empreendedoras possuem apenas a educação básica e 43% têm três filhos ou mais. Diante de barreiras históricas como baixa renda, dificuldade de acesso a crédito e falta de capacitação, muitas acabam presas ao que o estudo define como “piso pegajoso”, conceito que descreve negócios que conseguem sobreviver, mas encontram enormes dificuldades para romper a barreira do crescimento financeiro.
“Na Região Norte, o nanoempreendedorismo reflete vulnerabilidades socioeconômicas ainda mais urgentes do que a média nacional”, afirma Adriana Carvalho, diretora-executiva do Consulado da Mulher.
Foco nas periferias de Manaus

Esse cenário ajuda a explicar por que Manaus se tornou um dos focos estratégicos do projeto “Elas no Território”. Desenvolvida pelo Consulado da Mulher em parceria com o BNDES, a iniciativa atua no fortalecimento de mulheres empreendedoras em áreas periféricas da capital amazonense, como Tarumã-Açu, Monte das Oliveiras e Santa Etelvina.

“Apoiar o empreendedorismo feminino nas periferias é uma estratégia central para direcionar recursos e oportunidades a locais historicamente menos contemplados por investimentos”, destaca Adriana Carvalho.

Da subsistência à bioeconomia

Embora a maior parte dessas nanoempreendedoras ainda esteja concentrada em setores tradicionais, como alimentação, artesanato, beleza e pequenos serviços, o estudo identifica potencial para uma transição gradual rumo à bioeconomia, economia circular e negócios sustentáveis ligados à floresta amazônica.

Nesse contexto, o fortalecimento do empreendedorismo feminino deixa de representar apenas geração de renda e passa também a dialogar com desenvolvimento territorial, inclusão produtiva e sustentabilidade.

“Quando apoiamos mulheres que sustentam lares e movem a economia local de base, estamos criando uma infraestrutura social mais forte. Esse é o primeiro passo para que o desenvolvimento de um território seja ecologicamente e socialmente sustentável”, conclui Adriana.

Os dados apresentados em Manaus ajudam a mostrar que, mesmo diante das dificuldades estruturais, as mulheres das periferias amazônicas seguem sustentando parte importante da economia local, e começam, cada vez mais, a ocupar um espaço estratégico dentro da transformação social e econômica da região.

Fonte: Whirlpool Corporation.

Foto: Reprodução

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