Archer compra três empresas da Boeing e cria plataforma de inteligência artificial para aviação

A Archer Aviation anunciou nesta segunda-feira (10) um acordo para comprar três subsidiárias da Boeing —Wisk Aero, SkyGrid e Insitu— em uma operação que amplia a atuação da fabricante de aeronaves elétricas para os segmentos de defesa, sistemas autônomos e gerenciamento do espaço aéreo.

A transação também prevê que a Boeing se torne acionista da Archer e estabeleça com a empresa uma parceria de colaboração e compartilhamento de tecnologias. O negócio ainda depende de aprovações regulatórias e deve ser concluído até o fim de 2026.

A operação reúne negócios que, segundo as empresas, acumulam quase 2 milhões de horas de voo e permite à Archer combinar tecnologias de aeronaves autônomas, sistemas não tripulados e inteligência artificial com o desenvolvimento de aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, conhecidas pela sigla eVTOL.

O principal ativo financeiro incorporado à Archer será a Insitu, empresa especializada em sistemas aéreos não tripulados para missões de inteligência, vigilância e reconhecimento. A companhia gera mais de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) em receita anual, segundo estimativas divulgadas no anúncio, e possui operações em 35 países.

Negócio amplia atuação da Archer para defesa

Fundada com foco no desenvolvimento de aeronaves elétricas para mobilidade aérea, a Archer passa a incorporar uma operação voltada também ao mercado militar.

A Insitu já fabricou e colocou em operação mais de 3.500 aeronaves não tripuladas. Seus sistemas são utilizados pelas forças armadas de 35 países e a companhia mantém operações e estruturas de suporte nos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos.

A empresa desenvolve aeronaves de decolagem e pouso vertical, além de softwares que utilizam inteligência artificial. Entre as aplicações estão missões de inteligência, vigilância e reconhecimento.

A aquisição da Insitu dá à Archer uma fonte de receita já estabelecida enquanto a empresa avança no desenvolvimento e na certificação de seus projetos de aeronaves elétricas.

Wisk leva tecnologia de voo autônomo

A Wisk Aero, por sua vez, acrescenta ao grupo a experiência acumulada no desenvolvimento de aeronaves eVTOL autônomas.

A empresa afirma ter desenvolvido seis gerações de aeronaves e realizado mais de 1.700 testes de voo nos últimos 16 anos. Entre as tecnologias estão computadores de controle de voo, sensores e sistemas de radar desenvolvidos para aplicações civis e potencialmente militares.

A Boeing continuará tendo acesso à tecnologia central de voo autônomo desenvolvida pela Wisk. O acordo prevê que a fabricante americana poderá utilizar esses recursos em seus atuais e futuros aviões comerciais e de defesa.

A Boeing havia adquirido o controle da Wisk em 2022, quando passou a deter integralmente a empresa. Antes disso, a Wisk havia sido criada como uma joint venture entre a Boeing e a Kitty Hawk, empresa fundada por Larry Page, cofundador do Google.

SkyGrid atua no controle do espaço aéreo

A terceira empresa adquirida, a SkyGrid, desenvolve sistemas de gerenciamento de tráfego aéreo baseados em solo.

A plataforma permite coordenar aeronaves de diferentes tipos e foi desenvolvida para lidar com um espaço aéreo em que veículos autônomos e operações automatizadas deverão ter participação crescente.

Para a Archer, a combinação entre aeronaves, sistemas de controle e inteligência artificial cria uma estrutura que pode atender diferentes etapas da operação aérea, da aeronave ao gerenciamento do espaço aéreo.

A companhia pretende integrar essas tecnologias ao seu modelo de inteligência artificial chamado ZEE, desenvolvido para aplicações em aviação e defesa.

Boeing reduz exposição direta a novos negócios

Para a Boeing, a operação representa uma forma de manter participação econômica e acesso tecnológico aos ativos desenvolvidos ao longo das últimas duas décadas, ao mesmo tempo em que concentra investimentos em suas principais áreas de atuação.

“A transação permite que Wisk, SkyGrid e Insitu acelerem o desenvolvimento de capacidades e a chegada ao mercado”, afirmou Brian Yutko, vice-presidente de desenvolvimento de produtos da divisão de aviões comerciais da Boeing, em comunicado.

A Boeing não informou o valor da operação nem o percentual que deterá na Archer. O negócio está sujeito a condições de fechamento, incluindo o período de análise previsto pela legislação antitruste dos Estados Unidos. A expectativa das empresas é concluir a transação até o final deste ano.

Para a Archer, a aquisição muda o perfil da companhia. Além do projeto de táxi aéreo elétrico, a empresa passa a ter uma operação relevante em defesa e sistemas autônomos, com receitas já existentes e presença internacional.

A estratégia ocorre em um momento em que fabricantes aeroespaciais e empresas de tecnologia ampliam investimentos em inteligência artificial aplicada a aeronaves, sistemas não tripulados e automação do espaço aéreo.

Fonte: Agência Transporte Moderno https://transportemoderno.com.br/

Foto: Reprodução.

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