DBS e Avelloz reforçam nova fase da produção compartilhada no Polo de Duas Rodas

A DBS Indústria do Amazonas tem inauguração oficial de sua segunda planta no Polo Industrial de Manaus (PIM) marcada para 1º de outubro. A empresa também firmou contrato para produzir pelo menos 40 mil motocicletas da Avelloz ao longo de três anos. A fabricação deverá começar no início de 2027, inicialmente com o modelo Avelloz AZ 170 Bravo.

O acordo não se limita à montagem dos produtos. A DBS também foi escolhida para prestar consultoria industrial na implantação da futura fábrica própria da Avelloz em Manaus. Ou seja, produzirá as primeiras motocicletas e, ao mesmo tempo, ajudará a estruturar a operação própria da marca no Polo.

Empresas e negócios

Segundo a empresa, o Grupo DBS, fundado em 2003, iniciou sua produção industrial em Manaus em 2019. A companhia atua na fabricação de motocicletas elétricas e a combustão, ciclomotores e bicicletas elétricas. A segunda planta possui 4 mil metros quadrados e amplia a capacidade da empresa para receber projetos de diferentes marcas.

Criada em Pernambuco em 2008, a Avelloz informa ter comercializado mais de 130 mil motocicletas e possuir mais de 450 pontos de venda credenciados. De acordo com a empresa, foram 33.095 emplacamentos em 2025, resultado que a colocou na quinta posição entre as marcas de motocicletas mais emplacadas do país, conforme o consolidado da Fenabrave.

Um modelo que ganha força

A produção para terceiros não é uma novidade no Polo de Duas Rodas. A Dafra construiu parte de sua trajetória industrial fabricando motocicletas para outras empresas. Por suas linhas de montagem já passaram modelos de marcas como BMW, MV Agusta, Indian, TVS, Bajaj e KTM. Atualmente, a fábrica também produz modelos da Ducati e da Royal Enfield.

Em 2026, a chinesa Voge iniciou a montagem de motocicletas em Manaus em parceria com a Dafra. A Royal Enfield, por sua vez, mantém acordos produtivos com a Dafra e o Grupo Multi, ao mesmo tempo que prepara uma operação própria na capital amazonense.

A DBS também avança como plataforma industrial multimarcas. Além do contrato com a Avelloz, produz motocicletas da italiana Moto Morini, modelos elétricos da VMoto utilizados pela Vammo e veículos leves de mobilidade elétrica.

Esses casos mostram que a fabricação compartilhada ganha espaço entre empresas que desejam produzir no Brasil sem assumir, logo no início, todo o custo e a complexidade de uma fábrica exclusiva.
Ao utilizar uma estrutura já instalada, a marca pode compartilhar equipamentos, mão de obra e conhecimentos relacionados a processos produtivos, fornecedores, homologações e exigências regulatórias. Isso reduz o investimento inicial e o tempo necessário para colocar um produto no mercado.

O modelo também permite ampliar a produção gradualmente, avaliar a aceitação dos produtos e conhecer Hockey melhor o ambiente industrial antes de decidir pela implantação de uma unidade própria. No caso da Avelloz, a estratégia contempla justamente essa transição: enquanto a DBS inicia a fabricação das motocicletas, também presta consultoria para a futura operação industrial da marca.

A produção compartilhada, no entanto, não substitui necessariamente as fábricas exclusivas. Em alguns casos, funciona como uma etapa de entrada; em outros, pode se tornar uma solução permanente. A escolha depende da escala alcançada, da estratégia de cada empresa e da resposta do mercado brasileiro.

Motos e mercado

A parceria ocorre em um mercado aquecido. Em julho, as fábricas instaladas em Manaus produziram 190.794 motocicletas, o maior volume já registrado para o mês e 36% acima do resultado de julho de 2025. Entre janeiro e julho, a produção alcançou 1.254.191 unidades, com crescimento de 9,9% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O resultado acumulado foi o melhor para os sete primeiros meses do ano desde 2008. Para 2026, a Abraciclo projeta a fabricação de 2,07 milhões de motocicletas.

O crescimento do mercado ajuda a explicar o interesse de novas marcas e a procura por formatos mais rápidos e menos intensivos em capital para iniciar a fabricação nacional. Nesse cenário, Manaus deixa de ser apenas o endereço das grandes montadoras tradicionais e fortalece sua atuação como plataforma capaz de receber empresas de diferentes portes, segmentos e estratégias.
Mais do que espaço fabril

O avanço da produção compartilhada pode tornar o PIM mais acessível para novas marcas, acelerar projetos e aproveitar melhor estruturas industriais, equipes e conhecimentos já disponíveis em Manaus.
O impacto para o Amazonas será maior se os novos contratos ampliarem a aquisição de peças produzidas localmente, atraírem fornecedores, qualificarem trabalhadores e incorporarem atividades de engenharia, desenvolvimento e inovação.

A fábrica compartilhada pode ser a porta de entrada, porém o que determinará a importância dessa tendência para o PIM, será a capacidade de transformar escala produtiva em conhecimento, tecnologia, empregos de maior valor agregado e oportunidades que permaneçam no Amazonas.

Cristina Monte é jornalista, colunista e analista de negócios, com atuação na cobertura de indústria, inovação e desenvolvimento econômico na Amazônia.

Foto: Divulgação/Avelloz

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