Em conferência online realizada na manhã desta quinta-feira (2), a IDC Brasil divulgou as suas 10 previsões para o mercado de tecnologia no país, para este ano de 2023. O relatório costuma ser divulgado todos os anos e dá o tom do que será o setor ao longo dos meses seguintes.
O IDC Brazil Predictions 2023 indica um grande foco do setor para iniciativas de automação e de nuvem. A utilização de aplicações de Inteligência Artificial e uma atenção em cibersegurança são fatores que ajudam a ampliar os gastos nesses segmentos.
A conclusão da IDC é que a área de TIC cresça 5% em 2023 no Brasil, pouco menor que os 6,2% previstos para o segmento de TI. Este último terá um cenário de ajuste e redirecionamento de gastos ao longo do ano.
O setor de telecom, impulsionado pelo crescimento do uso do 5G e o avanço da nuvem, contará com uma alta de 3%. Para completar, a área de TI B2B crescerá 8,7% em 2023, graças aos fatores impulsionadores de software e Cloud. Veja as previsões a seguir:
Uso de nuvem
Otimização e redução dos custos da nuvem, por meio de automação e amadurecimento das práticas de FinOps – visualização e controle dos gastos financeiros da infraestrutura de TI. 93% das empresas consultadas pela IDC entendem que essa otimização deve compor a oferta dos provedores de serviços do setor.
A preocupação em emissões de carbono também aumentará na hora de escolher o seu provedor de cloud. Já a nível global, o entendimento é que, em 2024, aproximadamente 80% das grandes companhiasvão decidir por um provedor com base na capacidade de demonstrar os impactos de ESG.
Em números, o ano de 2023 trará gastos com IaaS e PaaS superior a US$ 4,5 bilhões no Brasil. Este será um aumento de 41% a nível anual. O dinheiro utilizado em infraestrutura de nuvem pública também chegará a pouco mais da metade daqueles com infraestrutura digital neste ano.
Virtualização do core das redes de telecom
Para 2023, a IDC entende que a virtualização do core das redes de telecomunicações avançará mais. Isso se deve ao contínuo movimento de dados entre pessoas, coisas, aplicações e processos, os quais exigirão investimentos em tecnologia de longo prazo e a criação de um ambiente always-on.
Entre os impactos para os negócios, a empresa prevê uma alteração na arquitetura das redes de telecomunicações, o que gerará uma mudança no relacionamento entre as Telcos e os provedores de nuvem. Isso se dará pela habilitação de novas funções de TI, como BSS, OSS, digitalização de atendimento, implementação contínua do 5G e outras necessidades.
A IDC entende que haverá mais acordos entre Telcos e provedores de nuvem em 2023, para funções do core das redes e virtualização. Para os próximos cinco anos, o consumo de nuvem no segmento de telecom tende a crescer 35,2% em IaaS e 42,2% em PaaS ao ano.
“Wireless First”
A terceira previsão consiste na abordagem Wireless First. Ele consiste em descentralizar o acesso e o transporte para um provedor de conectividade. Isso permitirá a combinação de várias tecnologias de conectividade, como Wi-Fi 6, Nb-IoT, satélite e outras.
As redes sem fio precisarão ser resilientes, para atender ao aumento de usuários e do tráfego de dados. Essa adoção ainda irá impulsionar o uso de serviços gerenciados e observabilidade.
Para 2023, a IDC espera que o mercado de Wi-Fi 6 tenha um crescimento de 17%, devido à implantação de tecnologias emergentes como IoT e IA. Até 2026, esse padrão deverá representar 65% do mercado brasileiro de W-LAN.
Redes privadas móveis
Um tema que tende a se intensificar está na presença das redes privadas móveis. Essas conexões habilitadas para o 5G permitirão novas oportunidades para o setor de telecomunicações, em áreas como nuvem, segurança, armazenamento, gerenciamento e análise de dados.
Os impactos deverão chegar para todo o ecossistema tecnologia, como operadoras de telecomunicações, fabricantes de dispositivos, provedores de nuvem e desenvolvedores de software, por exemplo.
As empresas de várias verticais têm planos de investir em redes privativas móveis, a fim de atender necessidades específicas e resolver desafios de conectividade. Os mercados maduros já mostram compartilhamentos de receitas, assinaturas e pagamento apenas pelo uso da rede.
38% dos gastos de IoT no Brasil devem ser em conectividade até 2026, com uma quantia de R$ 11,2 bilhões. O crescimento ao ano neste período tende a superar os 35%. Para completar, as ofertas diferenciadas, para a IDC, virão do chamado Network Slicing, para garantir maior sucesso.
Aplicações de negócio pela nuvem
A IDC entende que as aplicações de negócios providas no modelo SaaS – Software as a Service –, pela nuvem, têm avançado de maneira rápida. Neste ano, cerca de 29% das companhias farão investimentos estratégicos neste segmento. A peça central para a integração dessas soluções consiste nos provedores de serviços gerenciados.
As áreas de negócios vão participar ainda mais das decisões sobre as soluções de TI, que precisará endereçar temas de integração e segurança de aplicações e plataformas distintas. Esse processo demandará maior automação e governança mais rígida.
A tendência é um crescimento de 15,1% do mercado de software em 2023, segundo a IDC. Essa alta será puxada por soluções de segurança, gestão de dados e IA, além de CX – Costumer Experience.
Metade do que será gasto neste ano no Brasil já acontecerá no modelo SaaS, com um crescimento de 27,6% ao longo dos 12 meses. Os serviços de TI terão um avanço de 6,7%, graças a itens como gestão de aplicações, consultoria e integração de sistemas.
Automação e inteligência
A IDC entende que a fusão entre automação e inteligente vai impulsionar e trazer novas capacidades para os negócios. 20,5% das grandes empresas no Brasil mostram o tema de Process Automation & RPA como estratégico para iniciativas de TI em 2023.
O levantamento também sinalizou para uma maior presença de Inteligência Artificial nos orçamentos deste ano, atrás apenas de segurança e Cloud. A IA nas aplicações de negócio será entendida como padrão – para ajuda na tomada de decisões – e se somará às iniciativas avançadas.
As áreas de negócios vão ter mais um motivo para a participação na área de TI, que deverá surgir como um facilitador desse negócio, na hora de assegurar acesso seguro e difundir cultura e conhecimento sobre as novas capacidades.
Na parte de gastos para o ano, a IA deve superar US$ 1 bilhão no Brasil, um aumento de 33% ano a ano. Já as soluções de automação inteligentes (IPA) vão superar US$ 214 milhões.
Segurança de TI e dados como prioridade
A segurança de TI e dados seguirá como prioridade e motivo de preocupação em 2023. O tema é foco dos executivos de TI no Brasil desde o pico de incidentes de ransomware em 2027 e 2018, pelo chamado WannaCry.
O tema se tornará mais frequente em discussões na alta gerência das empresas, principalmente pela falta de recursos especializados no mercado e o endurecimento das regulações e penalidades. Um estudo recente da IDC viu que 62% das companhias no Brasil consideram a segurança como uma das principais lacunas nas habilidades técnicas.
Para 2023, a área de cibersegurança passará a ter um aumento da participação nos orçamentos de tecnologias e negócios. A preferência será por soluções de maior cobertura e implementação e manutenção menos complexas.
O segmento na América Latina terá uma taxa de crescimento de 12,2% neste ano. A região perderá apenas para a China. Mais especificamente sobre o Brasil, os gastos alcançarão US$ 1,3 bilhão, com uma alta de 13% em relação a 2022.
Mercado de dispositivos
O mercado de dispositivos para este ano seguirá com uma grande importância e vai representar 43,7% de todas as receitas no país, somando hardware, software e serviços. Isso inclui desktops, notebooks, tablets e smartphones.
A estimativa da IDC é de uma somatória de US$ 21,5 bilhões totais em 2023 para o mercado brasileiro. O número equivale a 1,1% a mais do que a quantia encontrada no ano de 2022.
A previsão para este ano indica que a escassez dos últimos anos seja superada, sem o temor de falta de produtos e insumos. No caso dos smartphones, as vendas se concentrarão em modelos mais simples e baratos. Já nos PCs, as expectativas estão mais conservadoras, pelas baixas vendas de usuários domésticos e demandas sem força no segmento corporativo.
Os smartphones deverão chegar a gastos de US$ 13 bilhões (+6%), enquanto os computadores somarão US$ 5,8 bilhões (-8,4%). Os vestíveis são aqueles com maior taxa de crescimento e um faturamento de US$ 882 milhões (+10,2%). Já as impressoras fecharão com US$ 542 milhões (+2,5%). Por fim, os tablets são os que encolherão mais, com uma receita de US$ 464 milhões (-15%).
Distribuição de vendas de dispositivos
Os canais de vendas de dispositivos deverão sofrer mudanças em 2023. O mercado de varejo online deverá sofrer uma redução em comparação ao varejo físico, o qual retomará os espaços perdidos por meio da maior flexibilidade de negociação no momento da venda.
Em paralelo a isso, outros canais alternativos ganharão destaque. Aqui falamos de venda de aparelhos usados, empresas de Device as a Service para usuários domésticos e distribuidores.
Apesar de perder força em 2023, o processo de expansão do comércio eletrônico seguirá com investimentos e novos centros de distribuição. O foco aqui será nos dispositivos mais baratos.
O varejo online tende a gerar US$ 5 bilhões – uma perda de participação entre 1% a 2% –, contra US$ 10 bilhões do varejo físico para 2023. A venda de usados crescerá acima de 10%, enquanto as ofertas as a Service deverá amadurecer mais ao longo do ano.
Alinhamento com práticas de ESG
As empresas compradoras de dispositivos têm demonstrado ações de sustentabilidade em andamento e como se conectam aos negócios e às boas práticas ESG. Entre elas, estão os créditos de carbono, o uso responsável de recursos, o Device as a Service alinhado ao tema, e a logística reversa e economia circular – com recolhimento e destinação adequada de aparelhos usados.
Os impactos incluem o pensamento nos dispositivos pelas empresas nacionais e multinacionais como ponto de partida na geração de resultados e receita. Essas práticas se mostram como diferenciais a essas companhias.
Em números, a expectativa é que 5% das vendas de aparelhos no segmento B2B em 2023 já demonstram algum alinhamento às práticas de ESG, os quais equivalem a algo em torno de US$ 250 milhões.
*Com informações do site TudoCelular


