Bajaj ultrapassa 50 mil motos no Brasil e reforça nova fase do setor de duas rodas

A fabricante indiana Bajaj Auto alcançou a marca de 50 mil motocicletas emplacadas no Brasil em pouco mais de três anos de operação, um resultado que evidencia a rápida expansão da empresa em um dos mercados mais competitivos do mundo no segmento de duas rodas.

Parte importante desse avanço está ligada à estratégia industrial da companhia no país. Em 2024, a Bajaj inaugurou sua primeira fábrica fora da Índia no Polo Industrial de Manaus (PIM), consolidando o Brasil como uma das bases globais da empresa. A unidade tem capacidade produtiva estimada em até 48 mil motocicletas por ano, com foco inicial nos modelos da linha Dominar.

Além da produção local, a empresa também estruturou sua logística nacional com a criação de um centro de distribuição, responsável por abastecer concessionárias e acelerar o fluxo de entrega das motocicletas em diferentes regiões do país. Essa combinação entre produção em Manaus e distribuição nacional tem sido um dos pilares da expansão da marca.

Entre os modelos comercializados, a Dominar 400 tornou-se o principal motor de vendas da Bajaj no Brasil, respondendo por uma parcela significativa dos emplacamentos desde o início da operação da empresa no mercado nacional.

Mas o desempenho da Bajaj também revela um fenômeno mais amplo que vem transformando o setor de duas rodas no país. O avanço da empresa se explica, em grande parte, pelo tamanho do mercado brasileiro. O país já figura entre os três maiores mercados de motocicletas do mundo, atrás apenas de gigantes como Índia e China em volume anual de vendas. Com mais de 1,5 milhão de motos comercializadas por ano, o Brasil se tornou uma fronteira estratégica para fabricantes globais que buscam expandir presença fora da Ásia.

Dessa forma, o PIM funciona como porta de entrada natural para essas empresas. O modelo da Zona Franca de Manaus oferece infraestrutura produtiva consolidada, cadeia de fornecedores estruturada e incentivos fiscais voltados à indústria de duas rodas, fatores que ajudam a explicar por que novas fabricantes globais continuam escolhendo a capital amazonense para iniciar operações no país.

Nos últimos anos, esse movimento ganhou força com a chegada de novas marcas internacionais ao polo, ampliando a diversidade de fabricantes e aumentando a competição em um setor historicamente dominado por poucos grupos industriais.
Mais uma vez, Manaus aparece no centro dessa transformação, reforçando o papel do PIM como principal plataforma de produção de motocicletas da América Latina.

Cristina Monte é jornalista, colunista e analista de negócios, especializada na cobertura de indústria, inovação e desenvolvimento econômico na Amazônia.

Crédito imagem: Divulgação Bajaj

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