Ball avança na América do Sul e amplia perspectivas para fábrica de Manaus, reconhecida pelo desempenho

Os resultados da Ball Corporation no segundo trimestre de 2026 mostram um período de crescimento global, mas é o desempenho da América do Sul que chama mais atenção para quem acompanha a indústria instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM).

A multinacional norte-americana, uma das maiores fabricantes mundiais de embalagens de alumínio, encerrou o trimestre com vendas de aproximadamente US$ 4 bilhões, crescimento de 19,7% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro líquido avançou de US$ 212 milhões para US$ 221 milhões, enquanto o lucro operacional comparável chegou a US$ 433 milhões, alta de 7,7%.

O volume global de embalagens de alumínio cresceu 4,3%. Os números indicam expansão das operações, mas precisam ser observados com cuidado: parte do aumento da receita veio do repasse da elevação do preço do alumínio aos clientes. Isso explica por que o faturamento avançou em ritmo mais acelerado que o lucro.
Na América do Sul, entretanto, o crescimento não ficou restrito ao efeito dos preços. A Ball registrou aumento de volume na faixa intermediária dos dois dígitos, expressão utilizada pela companhia para indicar avanço próximo de 15%.

A receita regional passou de US$ 477 milhões para US$ 591 milhões, alta de 23,9%. O lucro operacional comparável saltou de US$ 50 milhões para US$ 82 milhões, crescimento de 64%. Foi a maior expansão de resultado entre as regiões da empresa no trimestre.

O desempenho representa uma recuperação em relação ao início do ano. No primeiro trimestre de 2026, o volume sul-americano havia recuado, e o lucro operacional permanecera estável. A mudança observada entre abril e junho mostra uma retomada mais forte da demanda e uma combinação mais favorável entre volume, preços e eficiência operacional.

É nesse cenário que a presença da Ball em Manaus ganha relevância. A fábrica local integra a estrutura de embalagens para bebidas da companhia na América do Sul e coloca o PIM dentro de uma cadeia que atende diferentes fabricantes do setor.

A Ball não informa quanto cada planta produziu nem qual foi a participação individual da unidade amazonense no resultado regional. Portanto, não é possível afirmar que Manaus tenha puxado o crescimento. Ainda assim, o avanço da América do Sul cria um ambiente positivo para a operação e reforça a importância de acompanhar sua capacidade, investimentos, empregos e mercados atendidos.

A fábrica de Manaus já recebeu reconhecimento interno da companhia. Em 2025, a unidade esteve entre as plantas destacadas pela Ball em seu programa de excelência operacional, baseado em critérios relacionados à segurança, qualidade, disciplina produtiva, liderança e melhoria contínua.

Esse reconhecimento acrescenta uma dimensão importante à análise. Em uma indústria de grande escala, na qual pequenas perdas podem gerar impactos significativos nos custos, o desempenho de uma fábrica diz respeito não só a quantidade produzida, mas leva em consideração a segurança, regularidade, qualidade, aproveitamento de materiais, consumo de energia e redução de desperdícios, fatores que também influenciam sua competitividade dentro da rede mundial da companhia.

A operação amazonense está inserida em um mercado que passa por mudanças. Atualmente, as latas, que eram utilizadas principalmente em refrigerantes e cervejas, ganharam espaço em energéticos, águas, sucos, cafés, vinhos e bebidas prontas para consumo. Em 2026, a Ball participou no Brasil do lançamento de um suco em lata com alumínio certificado pela Aluminium Stewardship Initiative, entidade que estabelece critérios ambientais, sociais e de governança para a cadeia do metal.
A expansão para novas categorias amplia o mercado potencial das fábricas, ao passo que exige mais formatos, revestimentos, desenhos e soluções de impressão. A embalagem deixa de cumprir apenas a função de conservar a bebida e passa a integrar a estratégia de posicionamento das marcas.

A sustentabilidade também ocupa espaço central nesse setor. O alumínio pode retornar diversas vezes ao ciclo produtivo, e o Brasil mantém índices elevados de reciclagem de latas. Na planta de Manaus, o desafio da empresa envolve também aproximar a produção dos sistemas de coleta, processamento e reaproveitamento do material, reduzindo custos e impactos logísticos.
O forte resultado da Ball demonstra que a América do Sul se tornou um dos motores recentes da companhia. Para o Amazonas, a questão agora é compreender quanto desse crescimento poderá ser convertido em novas oportunidades para a unidade local.

Informações sobre capacidade utilizada, evolução da produção, contratações, fornecedores regionais, eficiência energética e novos investimentos ajudariam a medir com maior precisão essa contribuição. O balanço global mostra uma empresa em expansão; o reconhecimento recebido por Manaus indica uma operação industrial bem posicionada. Falta conhecer, em números locais, até onde essa combinação poderá levar a fábrica instalada no PIM.

Cristina Monte é jornalista, colunista e analista de negócios, especializada na cobertura de indústria, inovação e desenvolvimento econômico na Amazônia.

FOTO/DIVULGAÇÃO – Ball Corporation

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