Não dá para falar de um projeto de desenvolvimento para o Brasil sem considerar as demandas e os potenciais de cada região. Olhando para trás, a Região Norte ficou isolado desse projeto por muito tempo. E é olhando para a frente, para os desafios não só nacionais, mas globais, em médio e longo prazo, que é possível assimilar a relevância estratégica da região.
Com um ecossistema de inovação focado em bioeconomia, uma das maiores reservas em minerais críticos do mundo, conectividade e logística de baixa emissão de carbono, o Norte parece estar no futuro. Apesar dos diferenciais competitivos, sofre com problemas estruturais do século passado, como formação profissional, energia e transporte.
“Temos a capacidade de transformar a realidade da região Norte e deixar de ser fornecedor de insumos não processados para nos tornarmos uma cadeia de conversão de novos negócios. Com respeito as nossas características regionais e ancestralidades, e de maneira integrada ao projeto de país. Eu não me convenço de que a nossa região tenha que ser uma sub-região da nação. Então vamos agir, e é isso que estamos fazendo aqui”, reforçou o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Alex Carvalho.
Jornada termina com encontros em 49 cidades
A Jornada Nacional de Inovação da Indústria surgiu com a proposta inédita – e ousada – de percorrer todos os estados brasileiros para ouvir dos empresários quais são os principais desafios e oportunidades para inovar.
Depois de passar por 48 cidades, a caravana promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) fez sua última parada em Belém, com o encontro regional Norte. Os resultados consolidados das cinco regiões serão apresentados no Congresso Nacional de Inovação, no WTC em São Paulo, dias 25 e 26 de março.
“Inovação precisa não só de ciência e tecnologia, mas de infraestrutura, energia, ambiente regulatório favorável. Nosso objetivo é pensar num Brasil de 10 anos para frente, reclamando do Brasil de 10 anos para trás. Conversamos sobre infraestrutura, pessoas, regulação, modelos de negócio”, destacou o diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da CNI, Jefferson Gomes.
Principais conclusões da região Norte
Conforme levantamento e escuta dos empresários, a região é referência em bioeconomia, com centros de pesquisa e startups dedicadas a estudar e produzir com recursos biológicos da floresta.
Concentra 30% do estoque total de todos os minerais críticos e estratégicos do país, que são insumos para baterias elétricas e ímãs de alta performance para energia limpa. E detém 22% das reservas globais de níquel, lítio e grafite, que também são minerais estratégicos indispensáveis para a transição energética.
Apesar de ter infraestrutura digital e de logística de baixa emissão de carbono, os empresários apontam necessidade de mais investimentos em transporte e conectividade. Assim como outras regiões do país, carece de formação de capital humano e desburocratização de acesso a incentivos financeiros para inovação.
Outro grande salto que a região pode dar é integrar a bioeconomia com tecnologias da indústria 4.0 como Inteligência Artificial e blockchain para rastreabilidade dos ativos da biodiversidade. A rastreabilidade é importante para garantir a legalidade e transparência na cadeia produtiva, permitindo monitorar da origem à destinação final dos insumos.
O Norte também deve estar atento ao potencial de arrecadação via REDD+ Jurisdicional até 2030 com a preservação da floresta Amazônica. O REDD+ é um incentivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) para recompensar financeiramente países em desenvolvimento por seus resultados de Redução de Emissões de gases de efeito estufa provenientes do Desmatamento e da Degradação florestal.
Mas, para isso, é preciso superar os principais desafios levantados:
- Infraestrutura logística e de transporte deficiente (24,8%)
- Escassez e evasão de talentos (23,8%)
- Acesso a fundos e financiamentos (20,8%)
- Instabilidade regulatória e carga tributária (18,8%)
- Infraestrutura energética para escalar produção (11,9%)
Programação do regional tem treinamento e visitas técnicas
A programação do encontro regional vai além da apresentação dos resultados da região Norte. Durante a manhã, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) apresentou como acessar os centros de pesquisa e os recursos não reembolsáveis da instituição.
À tarde, participaram da abertura, Alex Carvalho, presidente da Fiepa; Jefferson Gomes, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI; Fabio Krieger, gerente de Competitividade Setorial do Sebrae Nacional; Mariana de Oliveira Santos, coordenadora-geral de Instrumentos de Apoio à Inovação do
MCTI; e Renata Batista, gerente de Sustentabilidade e Inovação do Sebrae no Pará.
Além da apresentação de resultados da passagem da Jornada de Inovação pela região, ocorreram mesas de debate com empresas e instituições de fomento.
Estiveram presentes Larissa Sato Dias, sócia e fundadora da GSA Deeptech Educacional e Instituto Hator; Pedro Ferreira, diretor-executivo da Premint Pré-moldados Inteligentes; Sérgio Ferreira, gerente executivo de Projetos de Energias Renováveis da Hydro Alunorte; Fábio Cavalcante, coordenador de Relações com o Mercado da Embrapii; Rodrigo de Lima, gerente do Departamento Regional Norte da Finep; Luiza Sidonio, gerente de Inovação e Estratégia Industrial do BNDES; e William Medeiros, que apresentou o programa Procel.
Na quinta-feira (12), os inscritos poderão participar de um treinamento do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) sobre registro de marcas e depósito de patentes; e de visitas técnicas à fábrica da Natura e aos Institutos de Tecnologia da Vale e do SENAI de Inovação em Tecnologias Minerais (ISI-TM).
Fotos: FIEPA
Fonte: Agência de Notícias da Indústria.


