Com aporte milionário, Anjun cria hub aduaneiro em Manaus e projeta frete internacional 65% mais barato

Quem mora em Manaus conhece bem a rotina: a cidade é cercada pela floresta e sem ligação rodoviária com o restante do país, então tudo o que chega de fora depende de avião ou de balsa. Isso encarece o frete e alonga prazos, e uma compra internacional costuma passar por São Paulo antes de seguir viagem até a capital amazonense.
É justamente esse gargalo que a chinesa Anjun, especializada em transportar encomendas de plataformas estrangeiras de comércio eletrônico, quer atacar. A empresa prepara para o fim de 2026 um armazém alfandegado no Aeroporto Internacional de Manaus. A ideia é fazer o desembaraço da carga na própria cidade, sem depender do desembaraço em São Paulo.
Fundada em 2011 na cidade de Shenzhen, o polo tecnológico da China, a Anjun Express é uma gigante global de logística que movimenta mais de 100 milhões de pacotes por ano, registrando um faturamento anual superior a US$ 4,5 bilhões. Especializada no comércio eletrônico internacional (cross-border), a multinacional opera como o motor invisível por trás de entregas de plataformas como Shein e AliExpress. No Brasil, onde iniciou suas atividades físicas em meados de 2021, a companhia expandiu rapidamente sua capilaridade nacional .

O que muda na prática
Segundo o presidente-executivo, Tony Fang, uma encomenda internacional leva hoje entre 15 e 25 dias para chegar a Manaus. Com voos vindos de Miami, de cerca de quatro horas e meia, e o desembaraço feito localmente, a projeção é de dois dias úteis na capital e cerca de cinco dias em cidades do interior alcançáveis por rio.
No custo, a diferença também é grande. Hoje, levar um pacote de um quilo de São Paulo a Manaus sai por R$ 25 a R$ 30. Com a entrega feita a partir do aeroporto local, a estimativa da empresa é ficar abaixo de R$ 10, uma redução superior a 65%.
Investimento e empregos
O projeto faz parte de um aporte de R$ 220 milhões no Brasil até 2027. Desse total, R$ 100 milhões vão para a unidade aeroportuária, com recintos alfandegados em Manaus, Recife e Brasília, e cobrem equipamentos exigidos pela Receita Federal, como máquinas de raio X, e sistemas automatizados de triagem. Os R$ 120 milhões restantes ampliam a unidade de entregas expressas. Cada galpão deve empregar cerca de 150 pessoas em dois turnos, o que soma de 400 a 500 vagas diretas nas três cidades.
Além das encomendas pequenas
Hoje a Anjun trabalha basicamente com pacotes de até 5 quilos. A meta é montar uma rede para volumes de 5 a 500 quilos, como móveis, cadeiras e televisores, um tipo de transporte interestadual que o executivo considera pouco atendido no país. A empresa atende marcas como Shein, Mercado Livre, Shopee e AliExpress, e diz que a redução de custo pode pressionar também os preços do varejo local.
O que observar daqui para frente
Os números são projeções da própria companhia. As operações de Recife e Brasília têm início previsto para este mês e o fim de outubro, respectivamente. Já a de Manaus depende da conclusão de reformas no terminal do aeroporto. Se o plano se confirmar, a capital amazonense deixa de ser o último ponto de uma longa cadeia e passa a ter um polo próprio, com potencial de gerar empregos e baratear o consumo na região.

Fonte: Anjun.

FOTO / ANJUN

Compartilhar

Últimas Notícias