COMO O EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL CONTRIBUI PARA PROTEGER A FLORESTA?

A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26) de 2021 destacou a importância de direcionar o mercado para cadeias produtivas sustentáveis a partir de um novo modelo de produção que considere os impactos socioambientais em equilíbrio com o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental (lucro e preservação).

O empreendedorismo sustentável regional desempenha um papel crucial ao buscar conciliar o crescimento econômico com a preservação do meio ambiente, sendo vital para manter a floresta em pé, gerar renda local, valorizar a bioeconomia e a cultura pautado na conservação ambiental, em tecnologias sociais, na inclusão social e na inovação verde.

Um ponto de destaque é o crescimento do empreendedorismo feminino que, ao combinar biodiversidade, saberes ancestrais e inovação, gera renda e oportunidades. No Amazonas, aproximadamente 30% dos pequenos negócios são liderados por mulheres, especialmente nos setores de serviços, comércio e bioeconomia.

Considerando-se as peculiaridades brasileiras e amazônicas, podemos ser protagonistas, dada o imenso potencial da economia verde e bioeconômico regional. Os insumos locais se transformam em uma variedade de produtos, como cosméticos, fármacos, alimentos, bebidas, borracha, moda e acessórios, que promovem o desenvolvimento sustentável da região contribuindo para fortalecer a economia regional e nacional.

Ao explorar as oportunidades na sociobioeconomia, destacam-se os negócios focados no extrativismo sustentável e na agricultura familiar, como as cadeias dos produtos da floresta. Startups voltadas para impacto são igualmente importantes, promovendo inovação tecnológica para desenvolver produtos baseados na floresta ou otimizar cadeias de valor com menor impacto ambiental.
Além disso, o turismo de base comunitária é outra iniciativa crucial, proporcionando uma experiência autêntica aos visitantes, ao mesmo tempo que gera renda direta para as comunidades tradicionais. O apoio institucional de organizações e aceleradoras locais é vital, oferecendo suporte, mentoria e acesso a capital para projetos que aliam impacto social e financeiro, o que é essencial para o desenvolvimento econômico da região.
Apesar do potencial existente, diversos obstáculos ainda dificultam o avanço do empreendedorismo sustentável regional. Os principais desafios incluem limitações financeiras e de mercado, como crédito elevado, custos iniciais altos e mercado restrito. Problemas de infraestrutura e apoio local também são significativos, com logística inadequada, frete caro, tecnologia limitada, deficiência de internet e ensino prático escasso. Adicionalmente, o ambiente regulatório representa um entrave importante, devido à burocracia excessiva, rigidez do ambiente de negócios e fraco apoio governamental.
No contexto amazônico, o ecossistema de inovação é respaldado por empresas tecnológicas e organizações comunitárias que fortalecem a bioeconomia local. No entanto, os atores das cadeias produtivas estão desconectados e dispersos do mercado em geral, o que resulta em baixa eficiência dos recursos financeiros, menor escala de operação e limitada competitividade.
O empreendedorismo desempenha um papel fundamental no impulsionamento do desenvolvimento regional. Ao valorizar os recursos, a cultura e as vocações locais, contribuir para a criação de empregos, retenção de riqueza nas comunidades, promoção da inovação com responsabilidade ambiental e atendimento às demandas sociais. Esse processo gera um ciclo de prosperidade que não apenas diminui as desigualdades regionais, mas também contribui significativamente para a redução do desmatamento na região.

O impacto positivo se manifesta via pilares como a economia circular, onde a redução do desperdício e o reaproveitamento de insumos e matérias-primas locais barateiam a produção e reduzem a pegada ecológica. Destacamos ainda a retenção de capital, que possibilita que lucros e investimentos permaneçam na comunidade, contribuindo para o desenvolvimento de fornecedores e parceiros locais. Além disso, a valorização da identidade local promove o turismo comunitário, o artesanato e a gastronomia, fortalecendo a cultura regional. A preservação ambiental com a exploração consciente da biodiversidade e dos ecossistemas.

Na Amazônia, o apoio ao empreendedorismo proporciona a preservação da floresta e diminui a pressão sobre ela, conectando boas iniciativas locais que ressaltam a importância de manter a floresta em pé o que favorece uma economia de baixo carbono e as cadeias globais.
Por fim, para destravar o empreendedorismo regional são necessárias políticas públicas assertivas com foco em bioeconomia, crédito facilitado e infraestrutura digital. Além disso, é fundamental incentivar negócios sustentáveis, simplificar a burocracia local e oferecer assistência técnica voltada aos saberes tradicionais tendo as pessoas como chave para o desenvolvimento regional justo.

Dra. Michele Aracaty
Economista, Pós-doutora em Desenvolvimento Regional, Pesquisadora da UFAM, Escritora, Ex-presidente do CORECON -AM/RR, Dama Comendadora da CBC, Membro e Imortal da ALACA e Diretora Administrativa da SOBER.

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