Jefferson Nobre, de 30 anos, é morador de Sorocaba (SP) e trabalhava como cabeleireiro e maquiador até a pandemia. Durante o isolamento social, ele ficou sem trabalhos e decidiu virar diarista.
A vida do morador de Sorocaba (SP) Jefferson Nobre, de 30 anos, foi transformada durante a pandemia após ficar sem trabalho e se tornar diarista. Ao sofrer preconceito no início, o jovem resolveu insistir e, quase dois anos depois, montou a própria empresa de faxina.
Ao g1, Jefferson conta que trabalhava como cabeleireiro e maquiador antes da pandemia. Quando foi estabelecida a quarentena, ele ficou sem clientes e precisava encontrar algum trabalho para se manter financeiramente. Após o convite de uma amiga, ele passou a se interessar pela área de limpeza.
“Eu nunca tinha trabalhado nisso, nunca fui da área, não tinha conhecimento sobre limpeza. O isolamento foi se estendendo e eu percebi que ia ficar na faxina. Sempre dediquei o meu melhor, a fazer com muito carinho e amor. Então, a clientela começou a crescer.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/A/Z/r6WnoFQwKZyzP5XD78nQ/jeferson.jpeg)
Jefferson trabalhava como cabeleireiro e maquiador antes da pandemia em Sorocaba — Foto: Arquivo Pessoal
Segundo Jefferson, com o retorno financeiro que começou a surgir, ele decidiu investir na profissão. Criou uniformes e ampliou a divulgação nas redes sociais. Porém, nesse período também ocorreram situações de preconceito.
“Foi muito difícil conseguir um espacinho, tem bastante preconceito de homem fazer faxina, por eu ser jovem e homossexual. A minha persistência foi na minha divulgação. Eu comecei a fazer tudo muito formal. As pessoas não me aceitavam de maneira nenhuma, foi muito difícil eu virar o jogo.”
Com o aumento de clientes, as indicações e trabalhos aumentaram. Jefferson criou um grupo no qual compartilha oportunidades com mulheres que também são diaristas ou babás, o que acabou ajudando outras pessoas a conseguirem trabalhos na pandemia.
“Quando eu me tornei referência, comecei a indicar e montar minha equipe. Se elas fossem elogiadas, eu chamava para minha equipe. Chamei oito mulheres que trabalham comigo hoje. Outras também me procuram para pedir orientações sobre questões trabalhistas e eu ajudo.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/h/k/7239rdQCm5IkiJAlUVJA/homem-diarista-que-sofreu-preconceito-no-inicio-da-carreira-cria-empresa-de-faxina-2-.jpeg)
Jefferson contratou mulheres para fazerem parte da equipe — Foto: Arquivo Pessoal
Hoje, Jefferson está estudando serviço social e administra a empresa organizando os agendamentos e trabalhos para suas colaboradoras. Para ele, foi como um sonho realizado.
“Eu fiquei muito surpreso. Usei toda essa rejeição, fui atrás, montei um grupo. Foi uma reviravolta da rejeição ao sucesso. Sai do anonimato e acabei virando uma referência.”
Mesmo com objetivos conquistados, o jovem conta que pretende aumentar a equipe de colaboradoras e ajudar outras pessoas com os aprendizados que obteve durante esse tempo.
“É um trabalho que exige bastante esforço físico. É uma profissão desvalorizada no Brasil, mas é uma área como qualquer outra. As pessoas acabam olhando pra mim como um menino que não teve oportunidade, só é completamente o oposto.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/r/A/DEGTrzRKGvPHDZsNoDvw/homem-diarista-que-sofreu-preconceito-no-inicio-da-carreira-cria-empresa-de-faxina.jpeg)


