Em Manaus, estudantes criam graxa ecológica com produtos da floresta

Já pensou em substituir a graxa tradicional, derivada de petróleo, por uma ecologicamente correta? Essa mudança poderá ser possível em breve, principalmente para quem trabalha com motores de baixa rotação e alta pressão, como os motores de popa usados pelos ribeirinhos da Amazônia.

Um grupo de estudantes da Fucapi está desenvolvendo a Ecograx, uma graxa ecológica feita com produtos naturais da região, como o açaí, a ucuuba, o buriti, andiroba e a cera de abelha, conforme explica o professor do curso de mecânica industrial, o engenheiro ambiental Luis Consentini.

A nossa ecograx envolve a manteiga de ucuuba, o óleo de buriti, o caroço de açaí carbonizado, a cera de abelha e também o emulsificante da lecitina de soja. A partir dessa mistura e da graduação correta, chegamos a uma consistência pastosa, dentro das normas padronizadas, que resulta na nossa graxa ecológica”, afirma o professor.

De onde surgiu a ideia

O projeto nasceu a partir da Feira Tecnológica da Fucapi, que ocorre todos os anos e, em 2025, será realizada nos dias 13 e 14 de novembro, na sede da instituição, em Manaus. O evento tem como foco apresentar soluções sustentáveis e inovadoras criadas por estudantes para a sociedade.

A gente começou a pensar e a envolver a cultura ribeirinha, a extração ribeirinha, que poderia agregar ao nosso trabalho. A ideia surgiu dos alunos de mecânica industrial, que propuseram o uso de produtos naturais aplicados à indústria”, contou Consentini.

Aplicações e usos

Segundo o professor, a Ecograx ainda está em fase de testes, mas já apresenta bons resultados em condições específicas.

Ela pode ser aplicada em engrenagens e correntes de baixa rotação. E, com aprofundamento dos estudos, identificamos que também pode ser usada em motores de popa, que trabalham em alta rotação, porém com baixa pressão — exatamente o tipo de equipamento usado pelos ribeirinhos”, explicou.

O projeto também considera as condições climáticas da Amazônia.

Nossa região é muito quente e úmida. Por isso, buscamos uma graxa que mantivesse o desempenho nessas condições. Fizemos substituições, como o uso da manteiga de ucuuba em vez da de tucumã, que é mais difícil de obter. Essa adaptação funcionou bem e atendeu às especificações que buscávamos”, disse o professor.

Pesquisas e futuro do projeto

Ecograx ainda não é um produto comercial, mas a equipe planeja continuar os testes e aperfeiçoar o protótipo nas próximas turmas da Fucapi.

O nosso produto ainda está em fase científica. Não é um produto finalizado, mas pretendemos aprimorar nas próximas edições da feira tecnológica. A ideia é continuar o estudo, seguir as normas e, quem sabe, levar a Ecograx ao mercado no futuro”, destacou Consentini.

Ecograx: o que é e como funciona

Ingredientes principais:

  • – Manteiga de ucuuba
  • – Óleo de buriti
  • – Caroço de açaí carbonizado
  • – Cera de abelha
  • – Lecitina de soja (emulsificante)

Aplicações:

  • – Engrenagens e correntes de baixa rotação
  • – Motores de popa usados por ribeirinhos
  • – Equipamentos sob alta temperatura e baixa pressão

Vantagens ambientais:

  • – Substitui graxas derivadas de petróleo
  • – Reduz impacto ambiental
  • – Valoriza recursos sustentáveis da floresta

Fonte: Segundo a Segundo.

Foto: Silvio Lima

Compartilhar

Últimas Notícias