Os efeitos dos conflitos geopolíticos no custo do frete e a perspectiva de pavimentação de trecho da BR-319 dominarão os debates na TranspoAmazônia 2026 – III Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística, entre os dias 27 e 29 de maio no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus.
Para o empresário Irani Bertolini, idealizador do evento e presidente da Fetramaz (Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia), os efeitos de conflitos internacionais como a guerra do Irã chegam com força à Amazônia. A explicação está na distância: de São Paulo a Belém são 3 mil quilômetros de estrada. De Belém a Manaus, mais 1.800 quilômetros de rio. Qualquer alta no combustível percorre esse trajeto inteiro antes de chegar ao consumidor.
“A guerra está nos prejudicando bastante. Com o aumento do óleo diesel, aumentou o frete e as dificuldades aumentaram porque tem contratos que já estão estabelecidos. É uma guerra para o transportador renegociar esse valor”, argumenta Irani Bertolini.
Com alta acumulada de 40% a 50% no preço do diesel, a pressão sobre o frete é inevitável. E o problema vai além do custo. “Algumas importações não estão chegando e algumas exportações do Brasil para fora não estão indo. Infelizmente, nós não temos nada que ver com a guerra, mas somos atingidos aqui em Manaus também”, disse o empresário.
“O preço do combustível nos Estados Unidos passou para US$ 4, que são cerca de R$ 20. Aqui estamos pagando R$ 7 no litro, em média. Não temos nada a ver com essas guerras, mas certamente essa situação já está afetando diretamente o transporte e a logística na Amazônia”, acrescentou.
BR-319
A perspectiva de pavimentação da BR-319 é aguardada há décadas. Irani Bertolini lembra do tráfego na estrada quando começou a empreender no setor transporte.
“A terceira viagem em que eu vim para Manaus, eu vim pela 319. A gente vinha de Cuiabá a Porto Velho, 1.500 quilômetros de chão. Chegava em Porto Velho e tinha que dividir a carga. Um caminhão Truque, que carregava 12 toneladas, só podia passar com seis”, relata.
Hoje, afirma Bertolini, uma carga que sai de São Paulo leva cerca de 15 dias para ser descarregada em Manaus. Pela BR-319, esse prazo cairia para aproximadamente 9 dias. São 6 dias a menos de mercadoria parada e de capital de giro empatado. “Imagina seis dias de capital de giro para o comércio e a indústria quanto representa. O juro está em 14,25% ao ano mais de 1% ao mês”.
Sobre os rumores de que transportadores seriam contrários à abertura da rodovia para proteger o modelo rodofluvial, Bertolini não deixa dúvida. “Eu tenho embarcações que trazem mercadorias de Belém para cá. Mas o meu sonho é ver essa rodovia trazendo caminhões”, disse.
E sobre a sinalização de que as obras seriam oficialmente iniciadas em breve: “Isso é a melhor notícia que eu recebi hoje. Depois de 30 e tantos anos abandonados, a gente voltar a rodar nessa rodovia vai ser uma vitória espetacular”.
A feira
Com 98% dos espaços vendidos e os dois pavilhões do Vasco Vasques completamente ocupados, a TranspoAmazônia 2026 deve movimentar mais de R$ 1 bilhão em negócios e reunir mais de 15 mil visitantes e representantes de 65 países.
Estarão presentes a CIT (Câmara Interamericana de Transportes), que representa 43 países das Américas e do Caribe, a CNT (Confederação Nacional do Transporte) e a NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística). Todas as grandes marcas de caminhões também participam, ao lado de fabricantes de implementos e representantes de todos os modais de transporte.
“Nós vamos ter a oportunidade de discutir os problemas do transporte do Brasil, das Américas e da Amazônia porque aqui o transporte é totalmente diferente do resto do país”, disse Irani Bertolini.
Foto: Divulgação
Fonte: Amazonas Atual.


