Curso foi ofertado gratuitamente pela ONG Visão Mundial. Sabendo falar português, migrantes têm mais oportunidades no mercado de trabalho.

Mais de 230 venezuelanos concluíram nesta semana o curso de língua portuguesa oferecido gratuitamente pela organização Visão Mundial, em Roraima. As aulas tiveram duração de três semanas e foram ministradas na Escola Refúgio e na Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (Adra), em uma parceria entre as organizações.
A migrante Yndira Camacho foi uma das participantes do curso. Ela compartilha a felicidade de ter finalizado as aulas e conseguido melhorar o idioma, uma das barreiras enfrentadas por migra ao Brasil. Para ela, a sala de aula foi um espaço de troca de experiências interculturais entre professores e alunos.
“Estou muito feliz e agradecida por ter feito o curso. Pude aprender a formar diálogos, falar os números, saudações, fonética, dias da semana, quando é seu aniversário, e fazer texto para o dia a dia. Cada um de nós temos uma história para compartilhar. Sofremos muito na Venezuela. Somos guerreiros, pois estamos lutando por um futuro”, afirma.
Índice de aproveitamento
Os números da organização mostram que a taxa de aproveitamento das turmas, ou seja, o índice de formação, está perto de 90%, com poucas desistências. Um dos fatores para o índice é a metodologia aplicada nas salas de aula, que trabalha gramática de forma mais leve e foca na comunicação diária dos migrantes.
Rebeca Araújo, professora e diretora do Inspire Rebeca, instituição responsável pelo processo de ensino-aprendizagem, afirma que as aulas trabalham um lado mais humano e permitem criar laços de amizade com os alunos. De acordo com ela, esse método ajuda a aprender o idioma.
“O aluno que gosta do professor, que tem um vínculo amistoso, consegue ter um melhor desempenho. Trabalhamos com materiais do dia a dia, sempre pensando como a língua pode ser aplicada na vida do migrante. Buscar um emprego, saber onde fica o posto de saúde, fazer uma entrevista de emprego, saber fazer um currículo. Tudo isso sem gramática pesada”, explica.
Números
Os cursos de língua portuguesa foram ofertados pelo projeto “Ven, Tú Puedes!”, financiado pelo Bureau of Population, Refugees, and Migration (PRM), escritório humanitário do Departamento de Estado dos Estados Unidos e desenvolvido em resposta à crise migratória da Venezuela. Somente no ano passado, 1,1 mil migrantes e refugiados receberam a capacitação. Além de Roraima, Amazonas e São Paulo também oportunizam o ensino do idioma.
“Para que essas pessoas acessem serviços básicos no Brasil, elas precisam saber a língua. Dessa forma, a conclusão representa a capacidade de se comunicar, para que elas se sintam parte do lugar. E a partir disso tenham a possibilidade de conseguir um emprego e se integrarem economicamente”, fala a coordenadora do projeto em Roraima, Bárbara Gil.
Até o mês de agosto, o projeto continuará a ofertar formações em língua portuguesa, cursos profissionalizantes e formações empreendedoras.
Fonte: G1 Roraima


