Nem sempre as grandes transformações industriais estão nos produtos que aparecem para o consumidor final. Muitas vezes, elas acontecem em componentes e tecnologias que ficam nos bastidores, mas são responsáveis por sustentar novas cadeias econômicas.
É o caso das baterias de nova geração, que deixaram de ser apenas fontes de energia para equipamentos e passaram a ocupar um papel estratégico em áreas como mobilidade elétrica, telecomunicações, data centers, energias renováveis e sistemas industriais inteligentes.
É dentro desse cenário que a UCB Power, empresa com mais de duas décadas de atuação no Polo Industrial de Manaus (PIM), avança em uma nova etapa da sua estratégia tecnológica.
A companhia recebeu autorização da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) para fabricar, com incentivos da Zona Franca de Manaus, sistemas de armazenamento de energia elétrica baseados em baterias de íons de lítio.
A aprovação representa um passo importante para ampliar a participação da indústria amazonense em uma cadeia que vem ganhando relevância mundial.
Mais do que ampliar um portfólio industrial, o movimento acompanha uma mudança global. Com o crescimento da energia solar e eólica, veículos elétricos, redes inteligentes e aplicações que exigem disponibilidade constante de energia, os sistemas de armazenamento passaram a ser vistos como uma das bases da transição energética.
A trajetória da UCB no Amazonas começou em 2000 e acompanhou diferentes fases do mercado. Inicialmente associada à produção de baterias tradicionais, a empresa ampliou sua atuação para soluções mais avançadas, incluindo baterias de lítio e sistemas voltados para aplicações críticas.
A estratégia ganhou força nos últimos anos com investimentos em tecnologia, expansão industrial e parcerias voltadas ao desenvolvimento de novas soluções de armazenamento.
Para o PIM, o avanço acontece em um momento em que a competitividade industrial passa cada vez mais pelo domínio de componentes estratégicos.
Se antes a disputa estava concentrada principalmente na capacidade de fabricação em escala, a nova corrida tecnológica passa também pelo desenvolvimento de cadeias ligadas a semicondutores, baterias, sensores, conectividade e inteligência artificial.
Nesse contexto, a presença de empresas inseridas nesses segmentos reforça um desafio importante para o modelo industrial amazonense: avançar em produtos de maior valor agregado e ampliar a conexão com as tecnologias que irão sustentar a economia dos próximos anos.
As baterias, assim como os chips, estão entre os componentes que muitas vezes não aparecem para o consumidor final, mas serão fundamentais para definir o futuro da indústria.
Para Manaus, participar dessa transformação significa não apenas produzir equipamentos, mas ocupar espaço nas novas cadeias globais de inovação.
Cristina Monte é jornalista, colunista e analista de negócios, especializada na cobertura de indústria, inovação e desenvolvimento econômico na Amazônia.
FOTO/DIVULGAÇÃO – UCB


