O público conhecido como consumidor invisível

É quase impossível imaginar que ainda exista uma fatia de consumidores que não tenha sido fisgada pelas grandes marcas que surfam pela internet, ou seja, uma espécie de consumidor invisível.

Esse consumidor invisível, é um público chamado agora de “sênior”, formado por pessoas com mais de 60 anos, que se tornou um nicho desprezado quando o assunto é consumo digital. A reportagem, que trata desse assunto, publicada no portal UOL, chamou-me bastante à atenção e resolvi provocar uma reflexão aqui!

A terceira idade no Brasil

No Brasil, culturalmente, as pessoas com mais de 50 ou 55 anos em diante são consideradas inaptas, velhas e são descartadas do mercado de trabalho sem muita cerimônia. Às vezes, até mesmo, do do convívio familiar. Enquanto nos EUA, por exemplo, eles são tratados com respeito e dignidade, sem entrar nos casos de exceção.

Além disso, ainda nos EUA, é natural que eles estejam na ativa: trabalhando, estudando e participando da vida como qualquer cidadão de outra faixa de idade, mesmo resguardando suas atenções mais com a saúde.

Lá, se você estiver numa rodovia e for pagar o pedágio, é bem provável que seja atendido por uma vovó simpática, beirando seus quase 80 anos. Isso reflete a cultura daquele país quanto aos seus idosos!

O consumidor invisível brasileiro

No Brasil, apesar de percorrer muitos estados, não me lembro de algum exemplo assim. Isso porque esse preconceito cultural contra o pessoal maduro parece se solidificar no mercado consumidor brasileiro. Sendo que até agora não moveu um dedo sequer para atrair essa turma. Criando esse grupo intitulado consumidor invisível.

Contudo, qual seria o motivo do desprezo? Será que os humanos com mais de 50 anos são considerados analfabetos digitais? E será que eles não compram pela internet? Será que não têm grana? Ou será que as empresas estão dormindo no ponto?

O planeta dos idosos

Voltando para a reportagem do UOL, o relatório “The World Population Prospects 2019”, da Organização das Nações Unidas (ONU), projeta que até 2050 a população mundial com mais de 65 anos será de 17%.

Só no Brasil, em 2019, era de 9%. A projeção do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, mais conhecido como Ipea, é de que a fatia de brasileiros com mais de 65 anos passará desses 9% para 25% até 2060.

Ora, quais estratégias as empresas estão implementando para conquistar esse público consumidor em ascensão? Nem me refiro a políticas públicas pra não parecer idealista demais, pois um país que faz tão pouco pelos seus jovens, quiçá pelos maduros!

Porém, cadê as empresas que não enxergam os tais seniores como potenciais clientes? Por que não trabalhar com o consumidor invisível?

Os maduros digitalizados

E se o mundo tá envelhecendo, a população idosa está mais digitalizada também! Pelo menos é o que aponta os dados da pesquisa do TIC Domicílios, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.Br), de 2019.

A pesquisa mostrou que, na faixa de 60 anos ou mais, 34% dos brasileiros acessam à internet, sendo 91% pelo celular, enquanto 49%, acesa por computador ou notebook, além dos 10% que acessa a internet pelos tablets.

Comprando on-line

Muito já se vem falando sobre a queda do consumo do público jovem e as empresas estão de cabelos em pé tentando atrair esse consumidor difícil. Essa turma compra pouco, tem maior envolvimento com meio ambiente e sustentabilidade. Portanto, o jovem não se sente muito atraído a consumir nem pela internet e nem pelas lojas físicas.

Já os maduros estão comprando mais pela rede, pois – de acordo com a pesquisa MindMiners em parceria com consultoria Hiper 60+ –, 85% afirmaram realizar compras nas duas modalidades citadas. Porém, apenas 14% deles compram exclusivamente em lojas físicas.

E se você pensa que a cifra envolve poucas casas decimais, está enganado. Estamos falando de uma movimentação anual de R$ 1,8 trilhão. Ah! Enquanto os jovens ainda vivem agarrados aos progenitores e sem renda pra gastar, cerca de 60% dos maduros recebem entre R$ 2.706 a R$ 20.888.

Além disso, – não menos importante – cabe a opinião do público sênior que não anda nada satisfeito com o tratamento dispensado pelas empresas.

Isso porque 57% dos respondentes da pesquisa da MindMiners disseram que faltam produtos e serviços voltados para sua faixa etária. Eles querem mais cursos (55%), roupas e acessórios (47%), alimentos especiais (42%) e serviços de turismo (37%).

Portanto, a maior pergunta que o consumidor invisível, fica em aberto. O que mais falta para as empresas enxergarem esse público?

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