Prêmio da FIEAM reforça papel estratégico da Recofarma no PIM

Quando pensamos no Polo Industrial de Manaus (PIM), a imagem que costuma surgir envolve linhas de montagem de TVs, smartphones ou motocicletas. Mas existe uma engrenagem pouco comentada, e extremamente estratégica, que vem ajudando a transformar essa percepção. Ao receber o prêmio de “Maior Empresa Exportadora do Amazonas em 2025”, concedido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), a Recofarma mostra como a operação da Coca-Cola Brasil na região ultrapassou fronteiras e ganhou relevância internacional.

Números e exportações
Somente no último ano, a empresa movimentou R$ 211,3 milhões em exportações, registrando crescimento de 19,6% no envio de concentrados para países como Colômbia, Bolívia, Venezuela, Uruguai e Paraguai. Mas algo impressionante diz respeito ao ritmo da expansão produtiva: a produção total saltou cerca de 32,5% em apenas um ano, passando de quase 40 mil toneladas em 2024 para mais de 53 mil toneladas em 2025, das quais 11,6 mil toneladas foram destinadas ao mercado internacional.
Mas o que torna essa operação especialmente interessante não são apenas os números. É a estrutura tecnológica e industrial construída por trás deles.
Recentemente, um investimento de R$ 550 milhões modernizou a planta industrial, incluindo uma nova linha dedicada à produção da parte seca e sólida dos concentrados. A ampliação elevou em 66% a capacidade produtiva da fábrica e incorporou tecnologias ligadas à automação, robótica, rastreabilidade e integração logística.

Ecossistema socioeconômico
Na prática, a Recofarma ajuda a mostrar uma face menos explorada do PIM: a capacidade de Manaus operar em cadeias globais sofisticadas de exportação, alimentos, bebidas e manufatura de alto valor agregado.
Mesmo com toda essa estrutura, a parte mais estratégica dessa engrenagem esteja fora dos galpões industriais.
A operação movimenta transporte fluvial, fornecedores locais, serviços e, principalmente, a cadeia agrícola do guaraná amazônico. Por meio de iniciativas como o programa “Olhos da Floresta”, a empresa fortalece a agricultura familiar, incentiva práticas sustentáveis e gera renda em municípios do interior do Amazonas.
Em um cenário global cada vez mais pressionado por eficiência, rastreabilidade e responsabilidade ambiental, o modelo construído pela Recofarma ajuda a mostrar que tecnologia industrial, exportação e preservação ambiental não precisam caminhar em direções opostas.
Essa é a grande virada de chave do PIM: a transição definitiva de um pátio de montagem para uma matriz global de inovação, sofisticação técnica e força exportadora.

 

Cristina Monte é jornalista, colunista e analista de negócios, especializada na cobertura de indústria, inovação e desenvolvimento econômico na Amazônia.

FOTO/DIVULGAÇÃO – RECOFARMA

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