Robótica médica abre nova fronteira de inovação no Amazonas

A transformação digital que vem modificando indústrias, empresas e diferentes setores da economia também avança rapidamente dentro dos hospitais. Inteligência artificial, robótica, análise de dados e equipamentos cada vez mais precisos começam a redesenhar o futuro da medicina.
E agora essa transformação ganha um novo capítulo no Amazonas.

O Hospital Samel realizou, no domingo (31/5), a primeira cirurgia robótica do estado utilizando a plataforma Da Vinci X, um dos sistemas mais avançados do mundo para procedimentos minimamente invasivos. O procedimento inicial foi uma prostatectomia radical, cirurgia indicada para tratamento de câncer de próstata.

A chegada desse tipo de tecnologia representa a entrada do Amazonas em um mercado global em forte expansão: o da robótica aplicada à saúde. Segundo levantamento da Fortune Business Insights, o mercado mundial de procedimentos cirúrgicos robóticos deve crescer de US$ 15,9 bilhões em 2026 para US$ 54,6 bilhões até 2034, impulsionado pela busca por procedimentos menos invasivos, maior precisão e novas tecnologias médicas.
O avanço também acompanha uma mudança estrutural nos grandes centros de saúde do mundo. A Intuitive Surgical, fabricante do sistema Da Vinci, informou que já existem mais de 11 mil sistemas instalados globalmente e a expectativa é de crescimento contínuo dos procedimentos realizados com apoio dessa tecnologia.

Diferente do que muitos imaginam, o robô não substitui o médico.Robótica A plataforma funciona como uma extensão tecnológica do cirurgião, que controla os braços robóticos por meio de um console, com imagens ampliadas em alta definição e movimentos de alta precisão.
Para a Amazônia, esse avanço possui um significado ainda maior.

Historicamente, pacientes da região precisaram buscar tratamentos altamente especializados em outros estados. A chegada de tecnologias médicas avançadas ajuda a reduzir distâncias, amplia a capacidade técnica local e fortalece uma nova cadeia econômica ligada à saúde, envolvendo capacitação profissional, engenharia clínica, tecnologia, pesquisa e inovação.

A medicina caminha para uma fase cada vez mais conectada, onde hospitais deixam de ser apenas centros assistenciais e passam a funcionar também como ambientes de desenvolvimento tecnológico.
No caso do Amazonas, a primeira cirurgia robótica mostra como inovação e tecnologia podem começar a ganhar espaço em diferentes áreas da economia regional – da indústria à saúde.

Cristina Monte é jornalista, colunista e analista de negócios, especializada na cobertura de indústria, inovação e desenvolvimento econômico na Amazônia.

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