Setor eletroeletrônico cresceu 381% em 30 anos e se prepara para novos desafios

O setor eletroeletrônico brasileiro registrou um crescimento histórico de 381,5% nas últimas três décadas. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), as vendas passaram de 27 milhões de aparelhos em 1994 para 130 milhões em 2024, consolidando a indústria como uma das mais importantes do país.

O salto consolidou a indústria como um dos pilares da economia nacional, responsável por levar inovação e conectividade para praticamente todos os lares brasileiros.

Para celebrar os 30 anos de atuação, a Eletros promoveu nesta quarta-feira (27), em Brasília, um seminário na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O evento reúne autoridades, empresários, especialistas e representantes do poder público para apresentar um balanço da trajetória do setor, debater conquistas e projetar o futuro da indústria, que busca manter a competitividade diante das rápidas transformações tecnológicas.

Transformação tecnológica e novos padrões de consumo

A evolução dos produtos fabricados no Brasil redefiniu a relação dos consumidores com os eletrodomésticos. Equipamentos que antes eram analógicos hoje incorporam inteligência artificial, automação e conectividade.

“Saímos de aparelhos básicos para produtos que integram tecnologia de ponta. Hoje, temos TVs com qualidade de cinema, lavadoras que identificam o nível de sujeira e refrigeradores que reconhecem itens em falta e fazem pedidos pela internet”, afirma Jorge Nascimento Júnior, presidente da Eletros.

O avanço tecnológico foi acompanhado por ciclos de consumo que marcaram época, como o lançamento da TV LCD em 2003, a popularização das TVs de LED na década seguinte e a redução do IPI para a linha branca em 2012, que estimulou a renovação dos eletrodomésticos nos lares.

Mais recentemente, o boom de vendas de air fryers e eletrodomésticos inteligentes, entre 2023 e 2024, mostrou a sensibilidade do setor às mudanças no comportamento do consumidor.

Hoje, 97% dos eletroeletrônicos consumidos no Brasil são fabricados no país por empresas associadas à Eletros, o que reforça a autossuficiência do setor.

Em 1994, havia cerca de 39 milhões de domicílios no Brasil, número que saltou para 80 milhões em 2024, mas o ritmo de crescimento das vendas superou em mais de três vezes o aumento de lares, consolidando a penetração da tecnologia no cotidiano das famílias.

Novos desafios

Apesar dos recordes, a indústria enfrenta desafios para os próximos anos. O presidente da Eletros prevê uma queda de 1% na produção em 2025, reflexo da política monetária restritiva e da taxa Selic de 15% ao ano, que encarece o crédito e freia o consumo.

Para manter a competitividade global, o setor aposta em investimentos em pesquisa, inovação, automação produtiva, eficiência energética e transição sustentável.

Segundo Nascimento, o fortalecimento da logística reversa, a inserção internacional e a qualificação de mão de obra serão pontos centrais para consolidar o futuro.

“A indústria nacional construiu uma base sólida. Agora, o desafio é oferecer soluções cada vez mais conectadas, eficientes e sustentáveis para um consumidor que evolui junto com a tecnologia”, conclui.

Fonte: Real Time 1.

Foto: Reprodução

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