O lançamento da nova geração do REON Pocket pela Sony Group Corporation pode representar muito mais do que apenas um gadget tecnológico. O dispositivo, uma espécie de climatizador corporal inteligente usado atrás do pescoço, ajuda a sinalizar o surgimento de um possível novo mercado global: o da climatização pessoal portátil.
A nova versão do aparelho, apresentada em maio de 2026, ganhou bateria mais duradoura, sensores inteligentes e maior eficiência térmica. O produto funciona por meio de tecnologia termoelétrica e consegue tanto resfriar quanto aquecer o corpo automaticamente, ajustando a temperatura conforme o ambiente e a movimentação do usuário.
Mas talvez a gente esteja justamente vendo um novo nicho de mercado nascer, e com potencial de gerar impactos indiretos sobre a própria indústria de climatização.
É interessante observar que, durante décadas, a lógica do setor esteve concentrada em resfriar ou aquecer ambientes inteiros: casas, escritórios, galpões e veículos. Agora começa a surgir uma nova lógica: climatizar diretamente o corpo humano com dispositivos portáteis, inteligentes e energeticamente mais eficientes.
E esse avanço tecnológico pode abrir novas discussões dentro do Polo Industrial de Manaus (PIM), que concentra algumas das maiores operações de climatização do país, com fabricantes globais de ar-condicionado e eletrônicos instalados na região. Nesse cenário, o avanço da chamada ‘wearable climate tech’ pode abrir espaço para um novo nicho industrial ligado à climatização pessoal, envolvendo wearables térmicos, acessórios inteligentes, sensores corporais e soluções portáteis de conforto térmico.
Com a elevação das temperaturas no mundo inteiro, essa inovação tende a ganhar força no mercado. O calor extremo começa a impactar produtividade, mobilidade urbana, consumo de energia e qualidade de vida nas grandes cidades. E isso transforma conforto térmico em um segmento cada vez mais estratégico.
Hoje, o aparelho da Sony ainda possui perfil premium e venda concentrada principalmente na Ásia, com preços variando entre US$ 180 e US$ 300. Mesmo assim, o produto ajuda a mostrar como as mudanças climáticas podem acelerar o surgimento de novas categorias tecnológicas, e criar oportunidades futuras para polos industriais especializados em climatização, como Manaus.
Cristina Monte é jornalista, colunista e analista de negócios, especializada na cobertura de indústria, inovação e desenvolvimento econômico na Amazônia.
FOTO/DIVULGAÇÃO – SONY


