A WEG prepara uma nova etapa de sua expansão internacional. O presidente executivo da companhia, Alberto Yoshikazu Kuba, afirmou ao jornal Valor Econômico que a operação da empresa fora do Brasil deverá se tornar ainda maior do que a estrutura mantida no mercado nacional.
A investida já aparece nos resultados. Em 2025, aproximadamente 60% da receita líquida da WEG foi obtida no exterior. No segundo trimestre de 2026, os mercados internacionais voltaram a representar mais de 60% da receita da companhia e ajudaram a compensar a retração dos negócios de geração solar no Brasil.
A expansão ganhou novo impulso com o anúncio de um investimento de US$ 165 milhões, aproximadamente R$ 840 milhões pela conversão divulgada, para ampliar a produção de geradores na América do Norte. O projeto prevê estruturas no México e nos Estados Unidos e busca atender, principalmente, ao aumento da demanda por geração de energia para aplicações críticas, como os data centers.
Ao mesmo tempo, a direção da empresa espera uma retomada do crescimento no segundo semestre, após a receita líquida do grupo recuar 0,6% no segundo trimestre, em comparação com o mesmo período de 2025. A companhia foi afetada pela redução dos projetos de geração solar de grande porte no Brasil e pela valorização do real, que diminuiu o valor, em reais, das receitas obtidas no exterior.
Embora a estratégia internacional ocupe cada vez mais espaço, a WEG mantém uma presença industrial relevante em Manaus. A WEG Amazônia, instalada no bairro Coroado, integra o Polo Industrial de Manaus (PIM) e fabrica motores elétricos, peças e acessórios.
A fábrica amazonense recebeu investimentos para produzir motores de velocidade variável e alta eficiência com tecnologia de ímãs permanentes. Em 2024, a unidade também obteve incentivos estaduais para a fabricação de motores elétricos síncronos sem escovas, com rotores de ímãs permanentes, destinados a aplicações que exigem maior eficiência energética.
A presença em Manaus mostra uma característica importante da trajetória da WEG: a internacionalização não eliminou a produção distribuída pelo Brasil. A empresa combina fábricas próximas aos principais mercados consumidores internacionais com unidades nacionais especializadas em diferentes linhas de produtos.
Isso não significa, contudo, que o crescimento projetado no exterior produzirá automaticamente novos investimentos ou aumento da produção no Amazonas. A companhia ainda não anunciou, nessas declarações, aportes adicionais, contratações ou expansão específica para a WEG Amazônia.
Mesmo assim, o desempenho global importa para Manaus. A fábrica local faz parte de uma companhia brasileira que amplia presença em setores ligados à eletrificação, eficiência energética, infraestrutura e geração de energia. Para o PIM, o desafio será transformar essa conexão em novas encomendas, desenvolvimento de fornecedores, atualização tecnológica e maior participação da unidade amazonense nas cadeias globais da WEG.
REDAÇÃO
FOTO/DIVULGAÇÃO – WEG


