Estudo avalia a situação de motoristas de app, motoboys e prestadores de serviço em cinco categorias. Em uma escala de zero a 10, a maior nota entre as empresas de tecnologia foi 2.

Um grupo de pesquisadores publicou nesta quinta-feira (16) um relatório que dá nota de 0 a 10 para as condições oferecidas para trabalhadores por aplicativo. Considerando as principais empresas de tecnologia com negócios no Brasil, a maior nota foi 2.
O estudo foi conduzido por acadêmicos brasileiros que fazem parte da “Fairwork”, uma rede de pesquisa coordenada pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, e presente em 27 países a partir de acordos com universidades locais.
O relatório “Fairwork Brasil 2021: por trabalho decente na economia de plataformas” avalia a situação de motoristas de app, motoboys e prestadores de serviço em cinco categorias. São elas: remuneração, condições de trabalho, contratos, gestão e representação. (veja o detalhamento de cada uma ao final da reportagem)
No caso de remuneração, o primeiro critério é se o trabalhador consegue atingir um salário mínimo após os custos envolvidos no trabalho. O segundo fator é se seria possível atingir o “salário mínimo ideal”, calculado pelo Dieese, de R$ 5.315,74 por mês.
A 99 ganhou 1 ponto neste critério, no cenário básico.
Em condições de trabalho, observa-se ações para proteger trabalhadores de riscos, como fornecimento de utensílios de prevenção à Covid ou seguro contra acidentes. Entram também acesso a banheiros, fornecimento de água e outros itens.
A 99 e Uber pontuaram neste critério.
O iFood pontua nos critérios de contratos e de representação. Segundo o Fairwork Brasil, o app criou termos e condições acessíveis para trabalhadores, com ilustrações.
Já sobre a representação, os pesquisadores apontam que o iFood criou um “Fórum de Entregadores” como canal de comunicação com lideranças da categoria.
“A maioria das plataformas, no entanto, não possui uma política documentada que reconheça a voz do trabalhador e da organização dos trabalhadores”, segue.
Melhorias
O g1 registrou no último fim de semana o descontentamento de motoristas de aplicativo com a forte alta dos combustíveis após reajuste de gasolina, diesel e gás de cozinha pela Petrobras.
A sensação inicial foi de desamparo, com nova reivindicação de aumento dos ganhos do motorista para que as margens ficassem menos apertadas.
Segundo os profissionais, o combustível representa de 40% a 50% dos custos fixos, que ainda sofrem o desconto da taxa paga aos apps, que varia de 20% a 40% por corrida. Alguns profissionais precisam pagar prestações mensais de aluguel do carro ou financiamento.
A Uber e 99 anunciaram medidas para ampliar a remuneração ou reduzir custos dos motoristas.
A Uber afirmou que vai elevar em 6,5% o valor das corridas de forma temporária. “O aumento também visa a ajudar os motoristas a lidar com o pico de alta em seus custos operacionais. Como sempre, os usuários poderão conferir no app as modalidades disponíveis e o preço exato antes de pedir uma viagem”, diz nota da empresa.
A 99 anunciou que vai reajustar em 5% o quilômetro rodado no ganho do motorista de todo o país. “Este acréscimo será implementado já nos próximos dias, em todas as 1.600 cidades onde a empresa opera no País. Sabemos que cada km conta”, diz o comunicado.
“Uma publicidade de Carnaval não é necessariamente um compromisso com a diversidade. É preciso ter um plano perene”, afirma.
Mesmo que iniciativas afirmativas precisem de mais estudo para aplicação, Grohmann lembra que atitudes simples poderiam melhorar a nota das plataformas na próxima rodada da pesquisa, que começa já nesta semana.
Para o pesquisador, as conclusões da pesquisa são um ponto de partida também para que o poder público formule políticas para melhorar a situação dos trabalhadores. Com eleições à vista, a briga do Fairwork é para que os candidatos tenham o assunto dentro da agenda de propostas.
Fonte: G1 Economia


