Pesquisa do projeto Amazônia 2030 avalia possibilidade de atividades ligadas à comida servirem de alavanca para a economia da região, e aponta caminhos para superar adversidades
Um novo estudo do projeto Amazônia 2030 tenta responder essa questão. No relatório “Territórios da Comida”, o professor associado da Universidade de Nova York Salo Coslovsky, o chef de cozinha e jornalista Roberto Smeraldi, e a engenheira química e pesquisadora do Centro de Empreendedorismo da Amazônia Manuele Lima avaliam a possibilidade de a Amazônia tornar-se uma marca associada a ingredientes novos, capaz de pautar tendências gastronômicas no Brasil e no mundo. Um lugar capaz de abrigar aquilo que os pesquisadores batizaram de “territórios da comida”: regiões capaze de inovar e de gerar riqueza e qualidade de vida para seus habitantes, mantendo a floresta em pé.
Para isso acontecer, sugere o estudo, é preciso garantir que os empreendedores da Amazônia tenham acesso a bens e recursos que, hoje, são escassos na região — como bons fornecedores, mão-de-obra qualificada para realização de atividades específicas e conhecimentos sobre técnicas de produção. Itens que os pesquisadores batizaram de Recursos Compartilhados Setoriais. (ReCS) (veja mais no gráfico ao final do texto)]
Dificuldade para crescer
Além disso, a Amazônia já exporta 64 artigos — muitos deles, gêneros alimentícios — que podem ser produzidos de maneira compatível com a floresta e que movimentam um mercado global avaliado em US$ 176 bi anuais.
A criação de territórios da comida foi uma estratégia adotada com sucesso por países como Itália e França. No Peru, lembram os pesquisadores, campanhas bem-sucedidas transformaram a cozinha do país em referência para o mundo.
Para investigar se as cadeias associadas à comida poderiam alavancar a economia amazônica, os pesquisadores conduziram entrevistas aprofundadas com 45 empreendedores já atuantes na Amazônia. São empresários do sistema comida cujos negócios experimentam relativo sucesso.
As conversas revelam que todos têm planos de expansão. É o caso, por exemplo:
- 1-Das empresas que produzem chocolate, seja com cacau nativo (De Mendes, Na Floresta), seja plantado (Cacauway), e que planejam ampliar sua capacidade produtiva ou rede de distribuição.
- 2- Da Combu, uma empresa que distribui produtos amazônicos em São Paulo e região Sudeste, tem planos de entrar no ramo de comidas prontas para bares e restaurantes.
- 3- Da Manioca, que passou a abastecer as gôndolas das principais redes de varejo do Brasil com produtos amazônicos, e segue ampliando seu leque de produtos.
- 4- Da Nossa Fruits, que comercializa açaí para a França e pretende abrir sua própria planta industrial processadora de açaí na Ilha do Marajó (PA). A empresa planeja usar o mesmo maquinário para processar outros produtos (óleos e extratos) para a indústria de cosméticos.
Na avaliação dos pesquisadores, prover ReCS é uma tarefa “ingrata”. A disponibilidade de ReCs pode definir o sucesso futuro —ou o fracasso — desses empreendimentos. “Os recursos compartilhados setoriais são peça-chave para entender o que está acontecendo ou o que pode acontecer na Amazônia”, afirma Coslovsky.
Na impossibilidade de o Estado preencher essa lacuna, a pesquisa aponta que uma saída possível é a criação de Arranjos Pré-Competitivos. Acordos estabelecidos entre empresas concorrentes de um mesmo setor, que se unem para prover recursos compartilhados sem deixar de competir entre si.
Negócios do encontro
Na maioria dos casos, esses encontros acontecem de maneira pouco planejada. Os pesquisadores avaliam que a criação de programas de intercâmbio, que pudessem estimular e viabilizar esses encontros, ajudaria a impulsionar o ecossistema de negócios na Amazônia.
Sobre o Amazônia 2030

Leia o estudo completo aqui!


