Catadores recolhem de geladeiras a TVs no Rio Negro; toneladas de lixo eletrônico são enviadas a SP para reciclagem

Programa de separação de eletrônicos e eletrodomésticos foi implementado em 2021 em Manaus e evita desperdício — no final, tudo vira pó e fica pronto para retornar à cadeia de produção.

O Profissão Repórter desta terça-feira (22) mostrou diferentes tipos de desperdício no Brasil e no mundo, e a busca pelo destino dado ao lixo eletrônico levou o repórter Thiago Jock e o repórter cinematográfico Luiz Silva à Região Metropolitana de Manaus. No distrito de Cacau, no município de Iranduba, às margens do Rio Negro, a equipe encontrou cascos de geladeira e televisões de tubo.

Televisão encontrada às margens do Rio Negro, no Amazonas — Foto: Profissão Repórter

Manaus é o único município do Amazonas que realiza a limpeza de rios e igarapés regularmente.

O profissional tenta explicar por que esse tipo de lixo eletrônico aparece com frequência por ali: “Acho que é porque não tem uma lixeira apropriada para isso, para atender toda essa demanda.”

Geladeira encontrada às margens do Rio Negro, no Amazonas — Foto: Profissão Repórter

Trabalho dos catadores

No fim de 2021, a Prefeitura de Manaus começou um programa de separação de eletrônicos e eletrodomésticos, o primeiro da região Norte.

O secretário de Meio Ambiente da cidade explica como a mão de obra de quem já trabalha na área está sendo aproveitada.

Cacilda é a presidente da associação que recebe os eletrônicos em Manaus. O que chega em bom estado é aproveitado: “Freezer funcionando, geladeira”, conta.

Cacilda é a presidente da associação que recebe os eletrônicos em Manaus — Foto: Profissão Repórter

A cada dois ou três meses, a quantidade de eletrônicos recolhida enche um container que viaja para o centro de logística reversa em São Paulo. A última remessa foi de 4,5 toneladas.

A associação que recebe os eletrônicos de Manaus conta com empresas parceiras. Só em um galpão em SP estão mil toneladas de recicláveis, desde carregadores, caixas eletrônicos até equipamentos hospitalares.

O que o consumidor descarta vai para a linha de desmontagem.

Reciclagem de eletrônicos em São Paulo — Foto: Profissão Repórter

O ferro passa por uma outra triagem. No final, tudo vira pó e fica pronto para retornar à cadeia de produção.

Manufatura reversa evita desperdício

Esse complexo processo de desmontagem, conhecido como manufatura reversa, evita o desperdício de materiais valiosos, como ouro e cobre e, apesar de ainda ser incipiente no Brasil, é uma grande ferramenta de proteção ambiental.

Para se extrair uma tonelada de cobre, por exemplo, é preciso retirar cem toneladas de minério bruto da natureza.

Fonte: G1 Profissão Repórter 

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