Amazonas lidera Finep 2025, mas concentração de prêmios expõe desigualdade regional

O desempenho do Amazonas na etapa Norte do Prêmio Finep de Inovação 2025, observado em cerimônia realizada na quarta-feira (24/9), no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), reacende uma reflexão sobre as condições desiguais de fomento à ciência, tecnologia e inovação na Amazônia Legal. O estado conquistou seis das nove categorias regionais, garantindo vaga na etapa nacional e reafirmando um protagonismo que se sustenta em esforços de universidades, centros de pesquisa, startups, órgãos governamentais e outros entes do ecossistema. Entretanto, o resultado também mostra que apenas Pará (2 prêmios) e Tocantins (1 prêmio) dividiram vitórias com o Amazonas, enquanto Acre, Amapá, Rondônia e Roraima, embora finalistas, não alcançaram títulos nesta edição. Essa distribuição exige uma leitura crítica sobre os desafios regionais.

É preciso reconhecer que empreender e inovar na Amazônia é um exercício de resistência. A distância dos grandes centros de decisão, a precariedade da infraestrutura logística, os custos elevados de transporte e energia, a dificuldade de acesso a capital de risco e a escassez de mão de obra altamente especializada formam barreiras consideráveis. Nessas condições, a força das instituições locais, a continuidade de editais e a capacidade de captação de recursos tornam-se diferenciais competitivos. O Amazonas, por exemplo, tem historicamente uma estrutura de apoio mais consolidada, como a atuação do governo do estado do Amazonas e de institutos de pesquisa de referência, o que pode ter contribuído para a maior taxa de conversão de finalistas em vencedores.

Já outros estados da região enfrentam limitações que ajudam a entender sua menor presença entre os premiados. Em alguns casos, o volume de investimentos públicos em inovação é mais modesto, dificultando a sustentação de ecossistemas fortes e permanentes. Em outros, faltam estruturas institucionais de fomento ou redes de apoio robustas para transformar ideias em projetos competitivos em nível nacional. Também é possível que a dispersão de esforços e a ausência de políticas de longo prazo comprometam a maturação de iniciativas promissoras. Não se trata, portanto, de ausência de talento ou criatividade, mas de condições estruturais que ainda precisam ser fortalecidas.
Ao destacar o protagonismo do Amazonas e as vitórias pontuais de Pará e Tocantins, esta edição do Prêmio Finep reforça a urgência de políticas mais equilibradas para a Amazônia. A região, composta por nove estados — dos quais sete disputam na etapa Norte, enquanto Maranhão concorre no Nordeste e Mato Grosso no Centro-Oeste —, deve ser compreendida como um ecossistema integrado, no qual cada território tem potencialidades singulares: bioeconomia, energias renováveis, biotecnologia e economia digital. Sem uma estratégia coordenada e inclusiva, há o risco de consolidar ilhas de excelência isoladas, em vez de promover um desenvolvimento regional mais amplo e sustentável.
Assim, celebrar as vitórias do Amazonas é justo, mas a reflexão que se impõe é mais profunda. É necessário aprender com esse protagonismo para criar políticas públicas mais inclusivas, capazes de democratizar o acesso a recursos e ampliar a competitividade de todos os estados amazônicos. O verdadeiro desafio não é apenas acumular troféus, mas garantir que a inovação se torne prática constante em toda a Amazônia Legal, sustentada por investimentos públicos consistentes, parcerias estratégicas e visão de longo prazo.

Cristina Monte

Foto: Reprodução

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