Coluna Mais Negócios – Do plano B ao centro da economia: a virada do EaD técnico

A educação a distância no Brasil deixou de ser apenas um recurso de conveniência. Ela se transformou, nos últimos anos, em uma mudança estrutural do ensino e, cada vez mais, em uma peça de engrenagem econômica. A lógica é simples: quando o mercado acelera, a formação precisa acompanhar. E, quando a vida real exige trabalho, renda e tempo escasso, o ensino precisa caber na rotina.

Os números recentes do ensino superior mostram essa virada: o EaD já supera o presencial em volume de matrículas no país, consolidando uma transformação que não é passageira. Mas há um movimento ainda mais interessante acontecendo fora dos holofotes: a ascensão do ensino técnico a distância, com foco direto em empregabilidade e formação prática.

Em Manaus, onde o Polo Industrial e a dinâmica da Zona Franca exigem mão de obra qualificada de forma contínua, esse cenário ganha contornos ainda mais urgentes. É nesse contexto que o Centro de Ensino Técnico (Centec) vem ampliando sua atuação no EaD técnico como resposta concreta a uma demanda que já se tornou gargalo. “Hoje, já existe uma carência de mão de obra no Distrito Industrial”, afirma Eliana Cássia de Souza Pinheiro, CEO da instituição.

A aposta do Centec vai além do aumento de vagas. A estratégia é formar profissionais em menor tempo, sem renunciar ao repertório que o mercado passou a cobrar: técnica, prática e comportamento. “O mundo mudou, e precisamos de pessoas que acompanhem essas transformações”, diz Eliana, ao citar o avanço de tecnologias e a necessidade de profissionais preparados para atuar em ambientes cada vez mais automatizados.

A leitura é pragmática e muito alinhada ao que empresas vêm enfrentando no dia a dia. O setor produtivo quer gente pronta para executar, operar, manter, analisar, resolver. Quer profissionais que cheguem com base sólida e adaptação rápida. O ensino técnico, que por muito tempo foi tratado como ‘segunda opção’, volta ao centro do jogo justamente porque entrega aquilo que o mercado não pode esperar anos para receber.

O perfil do aluno também ajuda a explicar por que essa modalidade ganhou força. Há jovens buscando a primeira oportunidade, pessoas em transição de carreira e trabalhadores que já estão empregados, mas precisam subir um degrau. Para todos eles, o tempo é um ativo raro e o formato 100% presencial muitas vezes vira barreira. “As pessoas precisam trabalhar e conciliar os estudos”, resume a CEO.

Mas a expansão do ensino a distância, para funcionar de verdade, precisa encarar um desafio essencial: a prática. E é aqui que o Centec tenta equilibrar o digital com infraestrutura real. A instituição se prepara para inaugurar um novo prédio de laboratórios e mira uma estrutura robusta para consolidar a formação técnica. “Teremos o maior centro de práticas técnicas de Manaus”, afirma Eliana, destacando ambientes que simulam a realidade do trabalho, da área da saúde à refrigeração e climatização.

O recado, no fundo, é maior do que uma instituição específica. O Brasil está redesenhando seu mapa educacional: o ensino se torna mais híbrido, mais flexível, mais conectado à economia e, principalmente, mais orientado a resultados. A educação, que sempre foi um tema social, passa a ser também, com ainda mais clareza, uma pauta de produtividade, competitividade e futuro!

Bertolini lidera no Amazonas em pacote bilionário da Petrobras para a indústria naval

A Petrobras anunciou um investimento de R$ 2,8 bilhões para impulsionar a indústria naval brasileira, com a contratação de 41 embarcações em estaleiros do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Amazonas. O movimento sinaliza uma retomada importante de um setor estratégico, não apenas pelo volume de recursos, mas pelo efeito direto sobre a logística nacional e a capacidade de produção interna.

No Amazonas, o destaque vai para o contrato de R$ 295 milhões com o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia Ltda., que passa a encabeçar a iniciativa no estado. A empresa, reconhecida pela atuação na construção de embarcações de grande porte e estruturas flutuantes, entra em cena como peça central em um segmento onde capacidade técnica e confiabilidade operacional fazem toda a diferença.

O acordo prevê a construção de 18 barcaças voltadas ao transporte fluvial de cargas e contêineres, um modal essencial para a dinâmica econômica amazônica. Mais do que a execução de um contrato robusto, a operação fortalece um elo produtivo local que impacta diretamente a economia regional: puxa mão de obra especializada, movimenta fornecedores, aquece serviços correlatos e, principalmente, ajuda a criar um ambiente de previsibilidade em um setor que, historicamente, viveu de ciclos curtos e instáveis.

Solução pra um problema global: inovação sem algoritmo também gera valor

Nem toda inovação nasce de grandes saltos tecnológicos. Às vezes, ela surge ao resolver incômodos cotidianos. É o caso do ‘Heinz Dipper’, embalagem criada pela Heinz que integra batata frita e ketchup em um único suporte, permitindo comer com uma mão e sem sujeira.

A proposta pode até não criar um hábito, mas elimina atritos de um consumo já mundialmente popular. Soluções anteriores, como sachês ou embalagens híbridas,  tentaram facilitar o uso de molhos, mas o diferencial agora está na integração total entre alimento e condimento, pensada para o consumo urbano e em movimento.

Em mercados maduros, onde produto e preço já não diferenciam, a inovação migra para a experiência. O Dipper mostra que tecnologia, muitas vezes, é apenas prestar atenção no uso real e resolver bem o que parece pequeno. Por que ninguém pensou nisso antes?

O preço da ‘versão feminina’

Falamos cada vez mais, e com razão, sobre equidade de gênero, equilíbrio de oportunidades e redução de desigualdades. O discurso está em congressos, campanhas e relatórios corporativos. Mas, no consumo cotidiano, a conta nem sempre fecha de forma justa. E, muitas vezes, quem paga mais caro são as mulheres.

O lançamento recente de uma parafusadeira da Britânia em versão ‘feminina’ ilustra bem esse paradoxo. A proposta parece positiva: ampliar o público, romper estereótipos e tornar ferramentas mais acessíveis. O problema aparece quando a versão direcionada às mulheres chega ao mercado com preço maior, mesmo mantendo características técnicas muito semelhantes às do modelo tradicional.

Esse padrão tem nome: ‘pink tax’. Não é um imposto oficial, mas uma prática de mercado em que produtos voltados ao público feminino, ou apenas ‘reembalados’ como tal, acabam custando mais, sem diferença funcional relevante. O fenômeno é comum em itens de higiene, vestuário e até brinquedos. Agora, começa a aparecer também em produtos tradicionalmente masculinizados, como ferramentas.

No fim, o debate sobre ‘pink tax’ não é só sobre preço. É sobre coerência. Em um mercado que afirma querer reduzir desigualdades, cobrar mais das mulheres por versões ‘adaptadas’ é um sinal de que ainda existe distância entre discurso e prática. Vamos parar com esse negócio de que se é rosa é mais caro, né?

RÁPIDAS & BOAS

O edital do concurso público da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema)  está com inscrições abertas até segunda-feira (26/1). Estão sendo disponibilizadas 159 vagas imediatas e 318 para cadastro de reserva, com atuação em diferentes áreas da política ambiental do Amazonas. Informações estão disponíveis por meio do link (https://tinyurl.com/48v9ryma).

*****************************************

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) está com inscrições para a seleção do curso de mestrado em ‘Biotecnologia e Recursos Naturais da Amazônia’ até segunda-feira (26/1). Serão ofertadas duas vagas remanescentes para turmas na Escola Superior de Ciências da Saúde da UEA (ESA/UEA), sendo uma com isenção da taxa de inscrição, destinada a candidatos autodeclarados negros, indígenas e pessoas com deficiência. O formulário está disponível pelo link (www.pos.uea.edu.br/biotecnologia).

Compartilhar

Últimas Notícias