Comissários de bordo falam da oportunidade de trabalhar em grandes companhias aéreas e contam o que é preciso para ser um tripulante
Esses e outros atrativos fazem muitos amazonenses investirem na profissão, como é o caso de Luciano Barroncas, que voa pelos céus brasileiros há 18 anos. Chefe de cabine e checador pela Gol Linhas Aéreas, Luciano fez o curso de formação obrigatório e passou por seleções criteriosas até chegar na atual posição.
Luciano Barroncas, comissário de bordo, sobre a profissão que escolheu
Para Luciano, o mercado hoje está muito propício para contratação. “As empresas aéreas estão crescendo muito rápido, e tenho certeza que a minha profissão é valorizada pois sou agente de segurança”, avalia Luciano. Dados do Caged revelam que houve um aumento de 58,3% nas contratações formais de comissários de voo de outubro de 2019 em comparação a março.
Formação

Para tornar-se comissário de voo, não é necessário ter formação superior. Basta ser maior de 18 anos, ter ensino médio completo e ter um curso de formação reconhecido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), assim como ser aprovado no teste do órgão. Em Manaus, uma das escolas que oferece o curso para comissários de voo é a Academia Céu Escola de Aviação Civil, no bairro Cachoeirinha. A formação dura três meses, com aulas teóricas e práticas e imersão de dois dias na selva para treinamento em caso de desastres aéreos, primeiros socorros, sobrevivência e marinharia. O investimento no curso chega a R$2,3 mil.
Para quem quer ingressar nesse mercado, Luciano dá dicas importantes: gostar de pessoas, ter empatia, falar ao menos um idioma e estudar bastante, pois os comissários são constantemente avaliados pelas companhias para manter o padrão de qualidade.
Não é só glamour

Ser comissário de voo vai muito além de servir refeições e distribuir sorrisos. Esse profissional cuida da segurança, tranquilidade e conforto dos passageiros. E não se engane: a rotina de um tripulante pode ser bastante pesada, com até seis voos por dia, como relata outra amazonense, Tatiane Araújo, que atua há seis anos como comissária de voo pela Azul Linhas Aéreas.
“Existe uma romantização da profissão, que todos trabalham elegantes e sempre sorrindo, mas é muito puxado. Existe hierarquia, então é preciso ter disciplina e capacidade de adaptação. Para quem gosta de fincar raízes e é apegado à família, pode ser difícil se acostumar. Com os nossos horários, tem que abdicar de muita coisa, como reuniões familiares, Natal, essas coisas”, diz Tatiane
Em contrapartida, há oportunidades para experiências que não se teria com um trabalho regular em horário comercial, opina a comissária. “Cada dia é diferente, não existe uma rotina maçante. Todo dia você está num lugar e vê pessoas diferentes. É o que acho mais fabuloso. Você toma café em uma cidade e almoça em outra”, diz.

Além do salário base, o profissional de bordo tem direito a adicionais noturno, de insalubridade e periculosidade, assim como de hospedagem e alimentação. “Ganhamos por hora. Quanto mais voa, mais ganha”, resume Tatiane.
Para a tripulante, o mercado pode parecer fechado à primeira vista, mas há chances para todos. “Basta tentar e persistir um pouco. Nem sempre acontece de primeira. Vai da preparação e sorte de cada um”, afirma Tatiane, que passou por várias seleções antes de chegar no cargo atual.
Fonte: Em Tempo


