Aéreas
A Embraer anunciou nesta quarta-feira (2) que, diante das sanções aplicadas à Rússia, suspendeu serviços de manutenção e venda de peças para clientes russos. A medida segue idêntica decisão das concorrentes Airbus e Boeing.
Na Rússia, a S7, a segunda maior aérea do país, usa modelos Embraer 170 nas rotas regionais. “A Embraer está monitorando de perto a evolução da ação e vem cumprindo, e continuará cumprindo, as sanções internacionais impostas à Rússia e a certas regiões da Ucrânia”, cita comunicado enviado ao CNN Brasil Business.
Também na quarta-feira, a Airbus disse que parou de enviar peças para a Rússia e de apoiar as companhias aéreas russas, mas está analisando se seu centro de engenharia em Moscou pode continuar prestando serviços a clientes locais sob sanções ocidentais.
“A Airbus suspendeu os serviços de suporte às companhias aéreas russas, bem como o fornecimento de peças de reposição para o país”, disse um porta-voz em nota.
“O Centro de Engenharia da Airbus na Rússia (ECAR) suspendeu todas as suas operações para a Airbus em linha com as sanções”, disse o comunicado.
“Em relação aos serviços de engenharia que a ECAR fornece a seus clientes russos, a empresa está analisando as sanções de controle de exportação para determinar se essa atividade pode ser mantida”, disse a Airbus, acrescentando que obedece a todas as leis aplicáveis.
O Centro de Engenharia da Airbus na Rússia foi criado em 2003 sob uma joint venture entre a Airbus, Systema Invest e o grupo Kaskol e emprega 200 engenheiros russos, segundo o site da empresa.
Já a fabricante de aviões norte-americana Boeing Co disse nesta terça-feira que está suspendendo os setores de peças, manutenção e suporte técnico para companhias aéreas russas, bem como grandes operações em Moscou.
“À medida que o conflito continua, nossas equipes estão focadas em garantir a segurança de nossos companheiros de equipe na região”, disse um porta-voz da Boeing.
O anúncio veio um dia depois que a Boeing disse que havia pausado as operações em seu campus de treinamento de Moscou e fechado temporariamente seu escritório em Kiev.
Apple
A Apple disse nesta terça-feira (1º) que interrompeu todas as vendas de produtos na Rússia em resposta à invasão russa da Ucrânia.
“Estamos profundamente preocupados com a invasão russa da Ucrânia e estamos com todas as pessoas que estão sofrendo como resultado da violência”, disse a Apple em comunicado.
Adidas
A empresa alemã de roupas esportivas Adidas suspendeu sua parceria com a Federação Russa de Futebol (RFS) com efeito imediato, disse um porta-voz da empresa na terça-feira.
O porta-voz não deu detalhes adicionais.
A decisão está alinhada com uma série de decisões tomadas por órgãos esportivos para cortar laços com órgãos ou empresas afiliadas à Rússia após a guerra na Ucrânia.
Visa e Mastercard
As empresas de cartões de pagamento dos EUA Visa e Mastercard bloquearam várias instituições financeiras russas de sua rede, cumprindo as sanções do governo impostas pela invasão da Ucrânia por Moscou.
A Visa disse na segunda-feira (28) que está tomando medidas imediatas para garantir o cumprimento das sanções aplicáveis, acrescentando que doará US$ 2 milhões para ajuda humanitária. A Mastercard também prometeu contribuir com US$ 2 milhões.
“Continuaremos a trabalhar com os reguladores nos próximos dias para cumprir totalmente nossas obrigações de conformidade à medida que evoluem”, disse a Mastercard em comunicado separado na segunda-feira.
Montadoras
A Volkswagen disse nesta quinta-feira que está parando a produção de veículos na Rússia e vai suspender as exportações para o mercado russo. “O Grupo Volkswagen recebeu as notícias sobre a guerra na Ucrânia com grande consternação e choque. A Volkswagen continua esperando o fim das hostilidades e um retorno à diplomacia. Estamos convencidos de que uma solução sustentável para o conflito só pode ser encontrada com base no direito internacional”, disse a montadora.
Na terça-feira, a Ford anunciou a suspensão de suas operações na Rússia, com efeito imediato. A montadora tem uma participação de 50% na Ford Sollers, uma joint venture entre a montadora americana e a russa Sollers.
“Dada a situação, informamos hoje nossos parceiros JV que estamos suspendendo nossas operações na Rússia, com efeito imediato, até novo aviso”, disse a empresa em seu comunicado.
Também nesta terça-feira, a Harley-Davidson disse que suspendeu seus negócios e remessas de suas motos para a Rússia, onde as concessionárias da marca representam apenas uma pequena parte de sua rede.
O site da Harley diz que a companhia tem 369 concessionárias na União Europeia, seu segundo maior mercado depois dos Estados Unidos, Na Rússia, esse número deve ser de cerca de 10.
A inglesa Jaguar Land Rover também anunciou nesta terça a interrupção das entregas de carros para o país devido ao conflito.
Na véspera, a montadora alemã Daimler Trucks disse que congelaria suas atividades comerciais na Rússia com efeito imediato, incluindo sua cooperação com a fabricante de caminhões russa Kamaz. Não serão construídos mais caminhões sob a parceria conjunta da Daimler com a Kamaz e não serão fornecidos mais componentes, disse o grupo em um memorando interno visto pela Reuters.
“Nossa cooperação com a Kamaz é de natureza puramente civil e só foi concluída com esse foco”, disse o memorando.
“Nesta cooperação, não é preciso dizer que sempre cumprimos rigorosamente todas as regulamentações de controle e sanções de exportação aplicáveis”, acrescentou.
A Daimler Truck disse estar profundamente chocada com a violência militar na Ucrânia e disse que está monitorando a situação de perto. “Vamos cumprir todas as medidas tomadas pelo governo alemão e pela UE”, disse no Twitter.
Também na segunda-feira, a montadora sueca Volvo Cars disse que suspenderá as remessas de carros para o mercado russo até novo aviso. Em um comunicado, a empresa disse que tomou a decisão por causa de “riscos potenciais associados ao comércio de material com a Rússia, incluindo as sanções impostas pela UE e pelos EUA”.
“A Volvo Cars não entregará nenhum carro ao mercado russo até novo aviso”, disse a empresa.
Um porta-voz da Volvo disse que a montadora exporta veículos para a Rússia a partir de fábricas na Suécia, China e Estados Unidos. A Volvo vendeu cerca de 9.000 carros na Rússia em 2021, com base em dados do setor.
O Grupo Mercedes-Benz também está analisando opções legais para alienar sua participação de 15% na Kamaz o mais rápido possível, informou o jornal Handelsblatt.
Um porta-voz da Mercedes disse à Reuters que as atividades comerciais teriam que ser reavaliadas à luz dos eventos atuais.
A General Motors, com sede em Detroit, anunciou na sexta-feira (25) que está interrompendo todas as exportações para o país que atualmente está invadindo a vizinha Ucrânia.
Cortar as exportações para a Rússia não será muito caro para a GM, no entanto. A GM vende apenas cerca de 3.000 veículos por ano na Rússia através de 16 revendedores locais, de acordo com um porta-voz da companhia. Isso é de mais de 6 milhões de veículos que a empresa vende anualmente em todo o mundo.
A GM atualmente não tem fábricas na Rússia, então a maioria dos veículos que vende lá é importada de fábricas dos EUA, enquanto alguns são trazidos da Coreia do Sul.
No mesmo dia, a montadora francesa Renault informou que vai suspender temporariamente as operações de sua fábrica de montagem de automóveis em Moscou na próxima semana, devido à “mudança forçada nas rotas logísticas existentes” que estão causando escassez de componentes.
A interrupção valerá entre 28 de fevereiro a 5 de março, segundo a empresas, que acrescentou que está analisando opções para retomar as operações o mais rápido possível.
A fabricante de pneus finlandesa Nokian Tires disse na sexta que está transferindo a produção de algumas de suas principais linhas de produtos da Rússia para a Finlândia e os Estados Unidos para se preparar para possíveis sanções adicionais após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Enquanto opera sua fábrica perto de São Petersburgo com capacidade total, a Nokian começou a transportar pneus da Rússia para armazéns mais próximos de seus clientes, disse um porta-voz à Reuters
Outras empresas
Na quinta-feira, trader global de commodities agrícolas Bunge anunciou o fechamento dos escritórios da empresa na Ucrânia e suspendeu temporariamente as operações em duas instalações de processamento de oleaginosas em Nikolaev e Dnipro.
A Bunge emprega mais de 1.000 pessoas no país e também possui e opera elevadores de grãos e um terminal de exportação na Ucrânia, disse a empresa. Além disso, opera uma planta de processamento de milho por meio de uma joint venture.
A comerciante de commodities agrícolas norte-americana Archer-Daniels-Midland Co também disse nesta quinta-feira que fechou suas instalações na Ucrânia, incluindo uma planta de esmagamento de oleaginosas e um terminal de exportação de grãos.
A ADM opera um terminal portuário de grãos em Odessa, uma planta de esmagamento de oleaginosas em Chornomorsk, cinco silos no interior e um no rio, e um escritório comercial em Kiev, empregando mais de 630 pessoas, segundo seu site.
Também engordam a lista a Carlsberg, a Coca-Cola HBC, empresa de engarrafamento da Coca-Cola, a fabricante de salgadinhos Mondelez — que vende os biscoitos Oreo e chocolates Milka — e a fabricante de aço ArcelorMittal.
Fonte: CNN Brasil