Embora a “paciente” Terra tenha apresentado melhora e recebido alta da UTI para a enfermaria na narrativa do podcast S.O.S! Terra Chamando!, a ciência alerta que a estabilidade do planeta ainda corre riscos severos. No décimo segundo episódio da série, o foco se volta para o coração do equilíbrio climático global: a Floresta Amazônica. O debate central revela que manter a floresta de pé não é apenas um imperativo ético, mas uma estratégia econômica e de sobrevivência biológica.

O risco do colapso: 2050 no horizonte
Apesar de dados recentes do Imazon apontarem uma redução de 46% no desmatamento entre 2023 e 2024, a velocidade da degradação ainda é alarmante. O episódio traz à tona um estudo liderado por brasileiros e publicado na revista Nature, que indica um “ponto de não retorno”. Caso o desmatamento e as mudanças climáticas não sejam freados, a Amazônia pode sofrer um processo de savanização — transformando-se em uma vegetação rasteira e perdendo sua biodiversidade — já em 2050.
Para o cientista do clima Paulo Artaxo, as soluções já existem e são viáveis.
“O Painel da ONU coloca que já temos todas as soluções para reduzir as emissões pela metade. Temos energia solar e eólica mais baratas que a fóssil e tecnologia para eletrificar transportes. O compromisso fundamental agora é zerar o desmatamento em todos os biomas”, afirma Artaxo.
Um dos pontos mais impactantes é a desconstrução da ideia de que a preservação impede o desenvolvimento. O ambientalista Carlos Nobre apresenta dados que mostram o potencial dos sistemas agroflorestais.
Segundo Nobre, o uso sustentável de produtos da biodiversidade — técnica que povos indígenas dominam há mais de 14 mil anos — pode ser muito mais rentável que o modelo extrativista atual.
A preservação vai além do carbono e da economia. A pesquisadora Carla Coelho, da Casa de Oswaldo Cruz (Fiocruz), explica que o colapso ambiental provoca o “apagamento” de culturas e o abandono de territórios, ferindo o patrimônio imaterial da humanidade.
Essa visão de interdependência é reforçada pelo ambientalista Manoel Cunha, que lembra que nenhum bioma é uma ilha.
“Quando estamos apagando o fogo no Cerrado, estamos preocupados porque a fumaça engrossa o efeito estufa e afeta a Amazônia. Está tudo interligado. Qualquer interferência em um bioma reflete na vida de quem depende desse equilíbrio para sobreviver”, pontua Cunha.
O episódio conclui que a “alta definitiva” da Terra depende de uma união de saberes: a precisão da ciência ocidental aliada à sabedoria milenar dos povos tradicionais que vivem em harmonia com a floresta há milênios.
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Fonte: Agência Brasil.
Foto: ARTE MARKETING/EBC


