Dia das Florestas: pesquisador da UFPA destaca papel da Amazônia para o clima e a vida

No próximo sábado, dia 21 de março, o mundo celebra o Dia Internacional das Florestas, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um chamado à proteção de um dos sistemas mais essenciais à vida no planeta. Na Amazônia, maior floresta tropical do mundo, essa discussão ganha urgência: preservar a floresta é garantir condições básicas para a vida humana.

“O que está em risco quando uma floresta desaparece é a própria vida”. O alerta é do professor Leandro Juen, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal do Pará (UFPA), pesquisador que atua na área de Ecologia e Conservação da Biodiversidade.

Coordenador do Centro Integrado da Sociobiodiversidade da Amazônia (CISAM), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Síntese da Biodiversidade Amazônica (INCT-SinBiAm) e do Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Amazônia Oriental (PPBio AmOr), Juen destaca que a floresta não é apenas um patrimônio ambiental, mas a base que sustenta o cotidiano das populações.

“Quando a floresta desaparece, não perdemos apenas árvores. Perdemos estabilidade climática, segurança hídrica, equilíbrio ecológico e qualidade de vida”, afirma.

Florestas regulam clima, água e economia – A ciência já demonstra que as florestas exercem papel central na regulação do clima e do ciclo da água. A cobertura vegetal favorece a infiltração no solo, contribui para a recarga de aquíferos e reduz enchentes, além de manter o fluxo dos rios durante períodos de seca.

Na região amazônica, esse processo ganha escala continental. Por meio da evapotranspiração, a floresta libera grandes volumes de vapor d’água que formam os chamados “rios voadores”, responsáveis por transportar umidade para outras regiões do Brasil e da América do Sul.

Essa dinâmica sustenta setores estratégicos da economia nacional. Culturas como soja, milho, algodão e trigo dependem diretamente da estabilidade hídrica proporcionada pela floresta em pé.

“Proteger a Amazônia é uma pauta ambiental, mas também uma estratégia econômica para garantir segurança hídrica e estabilidade produtiva nas próximas décadas”, destaca o pesquisador.

Quando o desmatamento avança, esse equilíbrio é rompido: o solo perde capacidade de retenção, a evapotranspiração diminui e o transporte de umidade é reduzido, intensificando eventos extremos como enchentes e secas prolongadas.

Os efeitos da degradação florestal não se limitam a áreas remotas. Eles impactam diretamente a vida urbana. A redução da vegetação intensifica ilhas de calor, eleva o consumo de energia e piora a qualidade do ar, especialmente em contextos de queimadas. Além disso, alterações no ciclo hidrológico podem comprometer o abastecimento de água e aumentar a vulnerabilidade a desastres naturais.

Ambientes degradados também favorecem a proliferação de vetores de doenças e pragas, ampliando riscos à saúde pública. “Em síntese, a degradação florestal impacta saúde, economia e qualidade de vida. É uma questão de segurança coletiva”, resume Juen.

Alimento e desenvolvimento – A integridade das florestas está diretamente ligada à segurança alimentar. Ecossistemas conservados mantêm o equilíbrio entre solo, água e biodiversidade, garantindo maior estabilidade produtiva e reduzindo a dependência de insumos químicos.

Sistemas como o de várzea ilustram essa relação: as cheias dos rios fertilizam naturalmente o solo, enquanto florestas e rios fornecem alimentos essenciais para milhares de famílias. Além disso, a diversidade biológica amplia a variedade de alimentos disponíveis e fortalece a soberania alimentar.

Segundo o pesquisador da UFPA, também é possível conciliar conservação e desenvolvimento econômico. Modelos como bioeconomia, sistemas agroflorestais, manejo sustentável, restauração ecológica e mercados de carbono demonstram que é viável gerar renda mantendo a floresta em pé.

“O desafio é ampliar essas iniciativas, garantir segurança jurídica e assegurar que os benefícios cheguem às populações locais”, afirma.

Nesse cenário, defende Juen, a UFPA ocupa posição estratégica. A universidade é referência na produção científica sobre biodiversidade na Pan-Amazônia e lidera redes que articulam pesquisa, inovação e diálogo com os territórios. “Entre as iniciativas estão o PPBio-AmOr, o INCT-SinBiAm, o CAPACREAM e o CISAM, que desenvolvem monitoramentos ecológicos, estudos de longo prazo e pesquisas aplicadas”, elenca.

Essas investigações ajudam a compreender os impactos do desmatamento, modelar cenários futuros e subsidiar políticas públicas voltadas à conservação e ao desenvolvimento sustentável. “A ciência produzida na Amazônia dialoga diretamente com os debates globais sobre mudanças climáticas. Produzir conhecimento aqui é ter impacto internacional”, destaca Juen.

Para o professor, o Dia Internacional das Florestas é um lembrete concreto da dependência humana em relação aos ecossistemas naturais. “As florestas garantem água, regulam o clima, sustentam a biodiversidade e dão base à produção de alimentos e à saúde humana. Conservar e usar esses recursos de forma responsável é uma decisão estratégica para garantir futuro e qualidade de vida”, afirma. “Quando a floresta é destruída, colocamos em risco não apenas a biodiversidade, mas as condições que tornam possível a nossa própria existência,”, conclui

TEXTO: Tahís Cristine – Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Alexandre de Moraes – Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

Fonte: UFPA.

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