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Óleo extraído de árvore típica de Tepequém tem potencial para combater mosquito da malária, apontam pesquisadores

Um grupo de pesquisadores de universidades da Amazônia e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram no óleo essencial extraído da Trattinnickia burserifolia — espécie típica de Tepequémregião de serra que é o principal ponto turístico de Roraima — um alto poder larvicida contra o Anopheles, mosquito transmissor da malária.

A pesquisa integra a tese da doutoranda em biotecnologia pela Universidade Federal de Rondônia (UFRO) Gisele de Oliveira e contou com apoio de instituições como a Universidade Federal de Roraima (UFRR), Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) do Amazonas e a Fiocruz Rondônia.

O estudo foi publicado recentemente na revista internacional Pharmaceuticals, da editora suíça MDPI, uma das mais conceituadas do meio científico, com classificação Qualis A1 — o mais alto nível de avaliação acadêmica no Brasil. Antes de ser publicado, o estudo passou por um extenso processo de validação científica.

“Publicar o resultado de uma pesquisa exige rigor: são muitos revisores, exigências e correções antes da aceitação”, afirmou a doutoranda Gisele.

⛰️ A Serra do Tepequém, localizada no município de Amajarí, ao Norte de Roraima, é considerada o destino mais procurado pelos turistas locais e de outros lugares do Brasil, segundo o Departamento de Turismo do Estado (Detur).

🧗‍♀️ A Serra do Tepequém fica distante cerca de 210 km de Boa Vista. O local é um dos mais visitados por apresentar atrações como cachoeiras, um platô que chega a quase 1.022 m de altura e pelo clima ameno durante a noite, proporcionado pelas serras.

🌳 Ajuda para inibir a malária na Amazônia

A pesquisa começou a partir da coleta de amostras da Trattinnickia burserifolia, planta pouco estudada da flora amazônica, conhecida entre populações locais pelas propriedades aromáticas.

As cascas do caule são retiradas para garantir a recuperação natural da árvore e enviadas a laboratórios especializados.

O óleo essencial é extraído por meio de um processo de hidrodestilação — técnica que utiliza a ação do vapor para liberar compostos voláteis presentes nas plantas. Em seguida, os pesquisadores realizaram a caracterização química do óleo, identificando cerca de 40 substâncias distintas.

Três compostos, em especial, chamaram atenção: limonenotriciclênio e betapineno.

“Esses três componentes majoritários mostraram forte ação larvicida, mas há indícios de que outros constituintes também contribuam para a eliminação das larvas”, explicou Gisele de Oliveira.

Os testes de eficácia foram conduzidos no Laboratório de Malária do Inpa, em Manaus. Amostras de larvas do mosquito Anopheles foram expostas ao óleo essencial, e os resultados foram “surpreendentes”.

“As larvas apresentaram lentidão significativa e, em até 48 horas, observamos a morte da maioria delas”, relatou a pesquisadora.

Fonte: G1.

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