Pessoas com deficiência têm dificuldade para encontrar vagas no mercado de trabalho

Conquistar uma vaga no mercado de trabalho hoje em dia não é fácil. São milhares de desempregados em todo o país, mas a situação é mais difícil ainda para pessoas com deficiência. São pouquíssimas as vagas oferecidas e, quando elas surgem, é exigida uma qualificação que nem sempre os candidatos têm.

A rotina de Tatiana Lara Rosa no trabalho é agitada. Ela é recepcionista de um escritório em um hospital particular há quatro anos. Hoje, com 35 anos, conta com orgulho que conseguiu entrar no mercado de trabalho antes mesmo de concluir o Ensino Médio.

Tatiana trabalhou por 11 anos em outra empresa, mas, quando perdeu o emprego, ficou apreensiva por saber das dificuldades que portadores de deficiência têm de conseguir uma vaga.

“Quando sai da antiga empresa fiquei uns dois meses sem um trabalho e fiquei um pouquinho assustada, de verdade, porque mercado de trabalho é muito concorrido e existem vários deficientes”, diz.

Pensando na concorrência, Tatiana, que nasceu com má formação nos braços, voltou a estudar para não ficar desatualizada. Fez cursos de gestão empresarial e desenvolvimento pessoal, e não demorou muito para conseguir um emprego.

“Acho que ser deficiente e encontrar uma vaga de deficiente é um privilégio, mas eu também sei da igualdade, preciso me aperfeiçoar como qualquer outra pessoa”, afirma.

Segundo o assessor do hospital Fábio Miranda, não há assistencialismo na contratação.

“Não existe nenhum tipo de assistencialismo nessa contratação, ela passa pelos principios de produtividade, habilidade e experiência. Após essa contratação, segue toda a equipe de colaboradores”, afirma.

Casos como o de Tatiana ainda são exceção no país. De acordo com o Ministério do Trabalho, se a lei fosse cumprida, haveria 827 mil postos de trabalho para pessoas com algum tipo de deficiência.

Mas, 27 anos depois da criação da lei de cotas, não chega nem à metade disso. Atualmente são 381 mil vagas para pessoas com deficiência.

Gisele Caprara é dona de casa, mas não por opção. Ela está em busca de emprego e diz que as empresas fecham as portas para deficientes, principalmente aqueles que perderam a visão. Gisele também fez cursos de capacitação, mas tem perdido as esperanças.

“Eles não acreditam no potencial da pessoa que tem perca total. Para eles a pessoa cega tem que ser de um olho”, conta.

Segundo a diretora do PAT de Itapetininga, Bruna Sandrine de Almeida, apesar do Ministério do Trabalho apontar que faltam empregos, a procura é muito baixa e um dos motivos pode ser a falta de qualificação.

“Além da vaga de PCD (Pessoa com deficiência) ser uma procura baixa, o PCD com qualificação não tem uma procura grande dentro do posto de atendimento”, diz.

Fonte: G1

Compartilhar

Últimas Notícias