Robôs assassinos: ficção ou realidade?

O avanço tecnológico promete resolver boa parte dos nossos problemas. Daqui pra frente nossa vida tende a mudar de maneira espetacular em muitos sentidos. Se compararmos os últimos dez anos, percebemos que nossa forma de nos comunicar, comprar, consumir, enfim, como nos relacionamos mudou bastante. Mas, isso é apenas um ensaio do novo mundo que se desenha porque a velocidade do tempo – aliada aos avanços tecnológicos – deve impactar muito na nossa forma de viver, o que por muitos ângulos é bem positivo!

Nem tudo é pro bem

Entre tantas novidades e surpresas que a tecnologia tem nos apresentado, uma em particular me chama bastante a atenção. Uma reportagem da Isto é Dinheiro on-line, na semana passada, mostra que o Japão buscará regras globais sobre “robôs assassinos” autônomos.  Tudo pra impedir que armas letais equipadas com Inteligência Artificial (IA) possam iniciar guerras, causar acidentes fatais e “decidir” quem pode viver ou morrer.

De acordo com o texto, alguns países como o Japão, Estados Unidos e a Rússia podem estar desenvolvendo os “Laws”, que são uma geração totalmente nova em relação ao uso de drones em operações militares.

Há associações internacionais de direitos humanos que qualificam essa tecnologia como robôs assassinos. Imagine você nossas vidas estarem nas mãos de robôs?! Os otimistas dirão que isso é bobagem e pura ficção, mas, os realistas, cautelosos, dirão que a ficção científica parece mais real do que nossa vã filosofia pode imaginar! E não é o caso dos pessimistas, que dirão que a tecnologia é um mal e a refutarão! Entre as opções, prefiro ficar com a turma dos cautelosos.  Vem coisa boa por aí, mas nem tudo é pro bem!

Humanos unidos contra os robôs autônomos

Curiosa sobre o assunto, encontrei outra reportagem disponível no portal da Época Negócios que fala a respeito de um grupo de líderes de tecnologia, apoiados por algumas das maiores organizações científicas e industriais do planeta que assinou um termo global exatamente contra o desenvolvimento de sistemas autônomos de armas dotadas da utilização da IA e que possam matar sem a autorização dos humanos.

O termo foi assinado por 150 empresas e 2,4 mil especialistas em IA e robótica de 90 países. Ainda de acordo com a reportagem, o grupo afirmou que não participará e nem apoiará a fabricação, comércio ou uso de armas autônomas letais.

Tecnologia é tudo de bom

Com essa notícia, fiquei mais aliviada por não me sentir um peixinho fora d´gua! Explico melhor: tenho visto muita gente embevecida e vidrada nas possibilidades que a ciência, a tecnologia e a inovação podem nos trazer e confesso que eu também tenho essa inclinação. Trabalhei anos em institutos tecnológicos, cursei pós em Comunicação Científica e realmente não podemos negar seus benefícios à humanidade. E, menos ainda, fugir dessa realidade que – cada vez mais – flui pelo globo.

Entretanto, acredito que a questão-chave não se concentre na tecnologia, mas sim, em como nós humanos a administramos, e é aí que os problemas aparecessem. “Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”. A frase reflexiva de Abraham Lincoln nos convida a observar o comportamento humano, principalmente, quando investido de alguma forma de liderança, privilégio, benefício ou, enfim, que se destaque em relação ao demais.

O velho comportamento humano

E mesmo que o mundo caminhe para tantas mudanças, e mesmo que a tecnologia seja um instrumento incrível capaz de proporcionar melhor qualidade de vida, desenvolvimento econômico, sustentabilidade ambiental, menos desigualdades sociais e tantas outras maravilhas, muitos de nós – cada vez mais – se apegam ao poder, usando-o como instrumento de dominação, e, muitas vezes, mantemos características rudimentares na nossa personalidade como o homem do tempo das cavernas!

A questão central é que a tecnologia muda com os avanços tecnológicos, mas a psicologia humana que temos visto nos noticiários das tevês, nos trens e nos metrôs, nas esquinas, nas redes sociais, nos supermercados, no trânsito, nas escolas, na política, nos gabinetes, nas empresas, continua a mesmo há séculos, isso se não piorou em vários aspectos ….

Será que estamos preparados para lidar com a realidade dos Laws?

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