Eneva refaz o calendário da própria dívida e ganha fôlego até 2036

Quem já trocou uma dívida curta por uma de prazo mais longo sabe que o alívio vem menos do valor e mais do tempo. Foi essa lógica que a Eneva aplicou, em escala bem maior, na primeira etapa do seu programa de gestão de passivos, concluída nesta semana.
A empresa vendeu a instituições financeiras R$ 2,4 bilhões em debêntures da 12ª emissão, que estavam guardadas em sua tesouraria. Em assembleia realizada na terça-feira (22/9), os papéis ganharam novas regras: remuneração de IPCA mais 8% ao ano, vencimento em 15 de agosto de 2036 e pagamento do principal em três parcelas anuais, só a partir do oitavo ano.

O dinheiro captado teve destino certo. Segundo a companhia, foi todo direcionado ao pré-pagamento de dívidas mais curtas e atreladas ao CDI. Na primeira fase, a Eneva liquidou cerca de R$ 1,4 bilhão em debêntures em circulação e cancelou os papéis recomprados. O valor reúne R$ 520 milhões da 3ª série da 8ª emissão, R$ 742,6 milhões da 3ª série da 10ª e R$ 142,9 milhões da 2ª série da 11ª. O restante seguirá para o pagamento antecipado de outras obrigações.
O efeito, de acordo com a empresa, aparece no prazo médio das dívidas envolvidas, que sobe de 2,6 para 9 anos, com redução do custo médio ponderado. A Eneva não informou o tamanho dessa redução.

Há também um ganho de “encaixe”. As receitas da Eneva com geração térmica e fornecimento de gás são corrigidas pela inflação, e agora boa parte da dívida passa a seguir o mesmo índice. Segundo o Cenário Energia, a fatia do endividamento ligada ao IPCA foi de 86% para 92%. Na prática, a conta a pagar passa a se mover junto com o dinheiro que entra.
O momento é importante, pois a companhia está em ciclo de investimentos, e uma dívida mais longa e alinhada às receitas dá mais previsibilidade para tocá-lo. A S&P Global Ratings, por sua vez, atribuiu nota brAAA, a máxima da escala nacional, à 12ª emissão.

Fonte: Eneva.

FOTO DIVULGAÇÃO – ENEVA

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